No município do Rio, para cada homem autodeclarado preto, há 10 brancos concorrendo a vereador na chapa do PDT de Martha Rocha

No município do Rio, para cada homem autodeclarado preto, há 10 brancos concorrendo a vereador na chapa do PDT de Martha Rocha

Partido que já foi o de Lélia Gonzalez, o PDT Carioca ostenta nesta eleição de 2020 um abismo racial entre seus candidatos. São 45 homens autodeclarados brancos concorrendo a uma vaga de vereador pela legenda, enquanto só 4 se declaram pretos e só 5 se declaram pardos.

Detalhe: Só 2 entre os 9 candidatos negros receberam mais do que 4 mil reais do Fundo Eleitoral para fazer campanha, Carlos Oliveira e Márcio Ribeiro. O valor dos demais é irrisório ou não houve nenhum repasse.

No que se refere às mulheres, o PDT optou por lançar apenas o mínimo de 30% de candidatas exigido pela legislação. Porém, há um equilíbrio maior na proporção racial. São 3 mulheres pretas, 11 mulheres autodeclaradas pardas e 10 brancas.

No entanto, apenas mulheres brancas receberam quantia maior que 4 mil reais, Verônica Moraes, Professora Margo e Janaina Dahoui. O restante recebeu um valor irrisório ou não recebeu nada.

Ou seja, considerando homens e mulheres juntos, o PDT tem 55 candidatos brancos, 16 candidatos pardos e 5 candidatos pretos, o que significa o dobro de candidatos brancos do que negros. E apenas 2 destes candidatos negros até 27 de outubro haviam declarado um repasse maior que 4 mil reais do partido para suas campanhas.

Bom lembrar que de acordo com IBGE a população negra é a maioria entre os habitantes do estado do Rio, cerca de 54% do total, e o município do Rio só tem menos habitantes negros que São Paulo. Além da segunda maior população de autodeclarados pretos no país entre as capitais, atrás apenas de Salvador.

A título de informação, o PDT é dono nesta eleição de um Fundo de R$ 103.314.544,11, de acordo com Tribunal Superior Eleitoral, valor que a sigla obteve direito pelo tamanho de suas bancadas na Câmara e no Senado.

Rodrigo Veloso
Escrito por:

Rodrigo Veloso

Rodrigo Luis Veloso é mestrando em sociologia e pesquisador na Universidade Federal Fluminense e do Movimento Unificado pela Diversidade (MUDi)

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