Emicida, Barbara Gancia e o corporativismo da mídia branca

Emicida, Barbara Gancia e o corporativismo da mídia branca

Durante a ótima entrevista ao Roda Viva, Emicida citou o terrível texto de Barbara Gancia escrito no ano de 2007 em que a jornalista associava o rap e o hip hop ao tráfico de drogas de forma preconceituosa e condenatória.

Emicida fez uma citação a um episódio ocorrido no passado em um momento do programa que fazia todo o sentido. Naquele momento, a cultura do cancelamento entrava em discussão. O rapper, ao argumentar, disse que o grito de quem acusa se sentir cancelado esconde o terror de ver os erros cometidos expostos. Quem sempre teve o poder de falar mais alto, se sente acuado quando os que são alvo se juntam e conseguem responder com um côro mais forte.

Emicida citou protesto que ele mesmo foi vidraça. Feministas criticaram a letra do rap Trepadeira e foram para a porta do local onde ele se apresentava para manifestar o descontentamento. Embora tenha discordado dos motivos (disse que o eu-lírico da canção não refletia o que ele pensava sobre o tema), ele preferiu se calar e ouvir todas as vozes dissonantes.

Bárbara Gancia, por sua vez, sentiu o golpe e foi para as redes sociais em uma reação desproporcional. Chamou o rapper de moleque e bostinha. Emicida em nenhum momento ofendeu a jornalista. Apenas relembrou um fato ocorrido.

A impressão que fica é: Bárbara nada aprendeu com o acontecido anos atrás. A jornalista branca se sentiu ofendida e, para rebater, achou que deveria colocar o rapper negro em um lugar de inferioridade. Teria ela reagido assim se o debate fosse com baluartes da MPB como Chico ou Caetano?


A maioria dos sites começaram pela suíte (termo jornalístico para uma matéria que dá continuidade a um assunto abordado anteriormente) ao tratar do assunto.Nos títulos dos chamados grandes veículos de mídia, o sujeito da ação é Barbara Gância. O debate proposto pelo rapper ficou em segundo plano. A mídia branca preferiu aderir aos ataques da jornalista branca contra o rapper negro.

“Barbara Gancia chama Emicida de moleque e pede respeito após ser citada no Roda Viva”, cravou a Folha com parágrafos e parágrafos de espaço para a contratada do jornal e poucas linhas para o argumento de Emicida.

Ao lembrar um encontro recusado pelo rapper, Bárbara deixou escapar todo seu ressentimento. Durante uma transmissão da GNT, Emicida se recusou a dividir o microfone com a jornalista. A reação grosseira deixou escuro que o rapper está certo ao preservar a segura distância da “colega” de emissora.

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