Disco que revelou cantriz Zezé Motta completou 40 anos


Lançado em junho de 1978, o álbum de estréia da cantora e atriz fluminense Zezé Motta , marcou o momento em que era preciso optar pela coerência artística quando a fama conquistada como Xica da Silva não lhe dava muitas opções.

 

(Foto: Acervo “O Globo”)

Zezé Motta havia acabado de gravar o premiado filme Xica da Silva, dirigido por Carlos Diegues em 1976 e estava um tanto insatisfeita sobre os novos convites que surgiram para atuar em novas montagens. Ate então, ela aceitava o que pintava pela sobrevivência. Após toda a repercussão gerada com a personagem da trama que lhe deu maior status, passou a questionar o seu papel de atriz. Foi quando em busca de coerência frente às suas decisões artísticas que ela decidiu voltar para a música, já que nesse campo haveria liberdade de escolha.

Começar de novo

Sua porção cantora já tinha sido vista quando fez parte do elenco do musical Godspell , inspirado nas parábolas do evangelho de São Matheus em 1974.  Foi assistindo a uma dessas apresentações que o ex integrante dos Secos & Molhados, Gerson Conrad a convidou para gravar um disco em dupla na gravadora Somlivre.  Por uma série de desentendimentos e sem a divulgação adequada, o disco não aconteceu. Lançado em dezembro de 1975, foi um fiasco em vendas. Nem mesmo a inclusão da faixa “Um resto de sol” na trilha da novela Bravo de Janete Clair e Gilberto Braga, exibida pela Rede Globo entre junho de 75 a janeiro de 76 ajudou.

(Site: Musicastoria)

Em diversas entrevistas concedidas durante a divulgação do filme Xica da Silva, Zezé expressou a sua vontade em voltar para a música, o que acabou despertando o interesse do empresário Guilherme Araújo (1936 – 2007), já conhecido no meio artístico por cuidar das carreiras de Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil.  Assinou contrato com a Warner Music e lançou em 1977 o seu primeiro compacto com as músicas Xica da Silva (Jorge Ben) e Babá Alapalá, pescada do repertório de Gilberto Gil do disco Refavela. Esta última entrou no ano seguinte para a trilha da novela O Pulo do Gato de Bráulio Pedroso, também exibida pela Rede Globo.

(Revista Pop/Abril/Blog Velhidade)

Muito prazer, eu sou Zezé…

O disco produzido por Liminha, o homem responsável pelo sucesso das Frenéticas reuniu as melhores composições dos mais diversos autores da música popular brasileira. Algumas foram compostas especialmente para a artista, a exemplo de Muito Prazer, Zezé de Rita Lee e Roberto de Carvalho e Crioula de Moraes MoreiraAs cantoras Lucia Turnbull , Evinha e Marizinha (Trio Esperança) comparecem nos vocais além dos arranjador Antonio Adolfo em Pecado original (Caetano Veloso), com destaque para Luiz Melodia que compôs três faixas: Magrelinha, Dores de amores e O morro não engana.

Em 1978 Zezé Motta despontou para crítica e público como uma das maiores revelações do ano, não mais lembrada apenas como uma atriz de grande competência. Sua consagração se deu por sua  brilhante participação no especial televisivo Mulher 80, apresentado por Regina Duarte,  junto às cantoras de maior representatividade no país. Na época se discutia, graças à série Malu Mulher a condição da mulher brasileira na figura de uma socióloga divorciada e mãe de uma garota de 12 anos. 40 anos após o seu lançamento, o disco de estréia de Zezé Motta ainda oferece frescor e originalidade, quando muitas iniciantes no ramo da música pecam por seguir modismos.

 

(Mulher 80/Rede Globo)

 

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