Rio Acima, de Pedro Cesarino


Rio Acima, de Pedro Cesarino, narra o retorno de um antropólogo à aldeia que desenvolveu seus estudos, situada na região amazônica, a fim de tentar coletar uma narrativa a qual ele nunca conseguiu escutar, narrativa essa que os mais velhos se recusam a lhe contar e sobre a qual ele já leu diversas versões.

Estante2

Rio Acima (capa)
Rio Acima (capa)

Enquanto faz a viagem rio acima, vamos vendo a maneira como as relações se dão entre as mais diversas esferas grupais e institucionais, sejam elas a do Governo com os pesquisadores ou com os indígenas, dos pesquisadores com a população local das cidades do interior do Brasil e com os indígenas, entre outras, de forma bastante crível, o que não é de se estranhar, afinal Pedro Cesarino é professor de Antropologia na FFLCH da USP; é isso também que dá o tom sóbrio da narrativa.

No que se refere a essa busca do antropólogo, há o questionamento dos motivos que levam as narrativas se repetirem, nos mais diversos lugares, de saber qual a necessidade desse recontar. Ele apresenta uma hipótese, mas real resposta para essa pergunta está no próprio desfecho da obra, que para um leitor atento, não é de se estranhar e pode mesmo ser “adivinhado” com antecedência.

Isso se deve não só as pistas imagéticas que vão sendo deixadas pelo texto, mas na maneira como o relacionamento entre o que ele vai descobrindo da narrativa do “pegador de pássaros” e o relacionamento com os seus parentes índios se dá.

Ele percebe certo estranhamento advindo, pensa ele, de certa naturalidade já existente devido aos anos anteriores de convivência, mas custa a perceber que, embora se tratem como irmãos, há uma fronteira que eles não conseguem romper, que o faz ser sempre o outro. Um outro que se faz necessário, pois sem ele não há como se organizar o mundo após terminado um ciclo.

A obra é um fechamento de ciclo temporal. A morte de um mundo para que outro possa nascer e se desenvolver.

Uma leitura muito interessante e gostosa de fazer em suas 152 páginas publicadas pela Companhia das Letras.

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