Bloco querido por mulheres lésbicas, Toco-Xona mantém ‘Maria Sapatão’: ‘É catarse’


Uma polêmica tomou conta do Carnaval: marchinhas com conteúdo que desagrada minorias devem ser banidas dos blocos? Agremiações do Rio e de São Paulo já anunciaram a exclusão das conhecidas “O teu cabelo não nega”, “Índio que apito” e “Mulata bossa Nova”. O “Mulheres Rodadas”, formado por feministas do Rio , anunciou que não tocará mais “Maria Sapatão”. Contudo, um dos blocos preferidos pelas mulheres lésbicas cariocas, o Toco-Xona avisa que manterá a música conhecida na voz de Chacrinha que conta a história de uma mulher que muda de sexo do dia para a noite.

“É o momento de todas as mulheres lésbicas que frequentam o Toco-Xona afirmarem a sua orientação sexual com orgulho. Quando tocamos, acontece uma verdadeira catarse. Elas cantam a letra a plenos pulmões, pulam, dançam, se abraçam. É um momento mágico, onde a gente vê no rosto das pessoas a emoção de poder ser quem são. Por isso, Maria Sapatão vai continuar no nosso repertório enquanto, por outro lado, Mulata Bossa Nova e Cabeleira do Zezé foram excluídas”, disse Bruna Capistrano, uma das fundadoras do bloco.

Se ‘Maria Sapatão’ continua, outras marchinhas não terão o mesmo destino. O Toco Xona excluiu do repertório “Mulata Bossa Nova” e “Cabeleira do Zezé”. “Outras marchinhas que amamos e não têm conotação preconceituosa continuam vivas nos nossos desfiles como Aurora, Cachaça, Alalaô, Mamãe eu quero”, completou Bruna.

Em entrevista ao jornal ‘O Globo’, a integrante do Mulheres Rodadas, Renata Rodrigues, informou que a exclusão de ‘Maria Sapatão’, ‘Índio quer apito” e ‘O teu cabelo não nega”, atende ao pedido dos frequentadores do bloco. “Procuramos ouvir as minorias e evitamos as músicas que possam parecer ofensivas para algumas pessoas”, ponderou.

A ativista Camila Marins tem sentimentos contraditórios quando está na rua e o bloco começa a tocar a marchinha. Se é bom poder cantar forte e com orgulho a palavra sapatão, por outro, ela rechaça a confusão que a letra de João Roberto Kelly, Chacrinha, Leleco e Dom Carlos causa ao misturar os conceitos de orientação sexual com o travestismo.

“Falar e cantar Maria Sapatão é maior orgulho mesmo, uma vez que quase não temos músicas que afirmam a identidade sapatão. Sim, sapatão com orgulho. Mas nos associar a uma identidade masculina de homem não é nada legal. Essa eterna confusão entre orientação sexual e identidade de gênero que não contribui em nada para a afirmação de nossas pautas e banaliza o debate da identidade de gênero”, argumentou.

Reportagem de Felipe Martins. Jornalista negro que fica em silêncio e parado no bloco quando ouve os versos “mas como a cor não pega mulata, mulata eu quero seu amor”.

Previous Existe futuro para o “Mercado LGBT”?
Next HOMONORMATIVIDADE: Orgulho ou preconceito?

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *