Quanto vale o corpo da mulher?


No último sábado (21), uma mulher foi estuprada por três homens na Suécia. Todo o crime foi transmitido ao vivo pelo Facebook e levou pelo menos três horas até que alguém denunciasse à polícia. Cenas de abuso sexual, agressão física e ameaças constantes foram veiculadas através da internet. As pessoas que assistiram ao vídeo o classificaram como desumano e cruel. Por aqui, uma jovem de 16 anos foi estuprada na Central do Brasil.

venusQuanto vale o corpo da mulher? Quanto tempo é preciso até que alguém se levante por nós? Qual é o preço que se paga por ser mulher numa sociedade como a que vivemos? Quantas agressões serão necessárias até que entendam como é difícil ser mulher numa sociedade que odeia mulheres?

Gravidez, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), infecções, depressão e tentativas de suicídio são só algumas das possíveis consequências de um estupro. Esse tipo de crime é motivado pela noção de hierarquia que existe entre mulheres e homens. A única motivação de um estupro é provar à mulher que ela não tem autonomia sobre o próprio corpo. Estupro é sobre relação de poder. Homens também são estuprados e seus estupradores são quase sempre outros homens. Lésbicas são estupradas para aprenderem o que é “ser” mulher, como uma correção de sua própria sexualidade, porque entende-se que “ser” mulher é gostar de homem. Homossexuais são estuprados como punição e humilhação por sua sexualidade.

É sobre poder. Puramente poder. Não é sobre uma libido excessiva, não é sobre uma vontade incontrolável. Se mulheres lésbicas se controlam diante de outra mulher, qual a dificuldade de um homem se controlar também? O estupro acontece porque os homens acreditam que detém o poder sobre nossos corpos. Até mesmo quando já estamos mortas, nossos corpos são violentados, como foi o caso de Luanny Melo. Uma criança de 10 anos que morreu em decorrência de um afogamento e teve seu túmulo violado por um homem – ainda não identificado -, que abusou sexualmente de seu corpo. Mesmo tendo noção de tamanha crueldade, um em cada três brasileiros acreditam que a vítima é culpada em caso de estupro.

Ter como ministro cotado para o Supremo Tribunal Federal alguém que acredita na submissão da mulher ao homem e na reprodução como função de um casamento, diz muito sobre a sociedade brasileira. Nosso atual Ministro da Justiça também é o protagonista de outro caso revoltante, quando ainda era secretário de segurança em São Paulo. Quando dois homens invadiram a bilheteria de um metrô na cidade, renderam uma funcionária, mas não conseguiram abrir o cofre, eles resolveram estuprá-la. Na época, Alexandre de Moraes disse que não era necessário reforçar a segurança, já que o roubo não havia sido consumado. Se somos estupradas por dois homens ou trinta e três, pouco importa. Não importa.

ola1É necessário reforçar sempre a urgência em debater gênero nas escolas. Precisamos reeducar a nossa sociedade e só assim conseguiremos erradicar a ideia de supremacia de um gênero. É dever da sociedade ensinar os meninos a respeitarem as meninas até que nunca mais precisemos ensiná-las a temer. A educação é o único meio de transformação social.

Pelo fim da cultura do estupro.

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