Doadores de sono, Karen Russel

Doadores de sono, Karen Russel

Uma epidemia assola os Estados Unidos. Milhares de pessoas perdem a capacidade de dormir. Conheça a Corpo do Sono, uma organização que persuade sonhadores saudáveis a fazer doações para os insones. Sob o comando dos enigmáticos irmãos Storch, o alcance da Corpo do Sono só cresce, e ela já está presente nas principais cidades americanas. Trish Edgewater, cuja irmã, Dori, foi uma das primeiras vítimas da insônia letal, há sete anos recruta doadores para a organização. Mas sua crença na empresa e nas próprias motivações começa a vacilar quando ela é confrontada com a Bebê A, a primeira doadora universal, e com o misterioso e maligno Doador Q.

Estante2Essa é a sinopse do romance Doadores de sono, de Karen Russel e publicado no Brasil pela Editora Record e tem um plot incrível. Imagina que além de uma epidemia de insônia, se desenvolve também um método de extração de sonhos a fim de que sejam doados para aqueles que não conseguem mais sonhar. Muito louco, né?!

Mas acontece que tudo ficou no plano da possibilidade. O livro não empolga ao longo das suas 168 páginas.

Narrado em primeira pessoa por Trish, vamos acompanhando a sua vivência com a Bebê A, com a crise instalada por conta do doador Q, dos padrões de moralidade e ética de pessoas ao redor e, principalmente, da relação dela consigo própria e com a irmã falecida.

Talvez o problema seja exatamente esse, por ser narrado em primeira pessoa, há muita consideração sobre o que está acontecendo, deixando um pouco a ação de lado, e isso é muito ruim para o desenvolvimento da narrativa, que se tornou ao menos para mim, arrastada. Há muita linearidade e nem mesmo nos momentos em que o clímax deveria ser atingido, o texto se desestabiliza dessa linha retilínea.

O senhor Q não é uma figura interessante. O que se descobre sobre os irmãos Storch serve muito pouco para a finalização do romance e, mesmo a aventura com o Harkonnen não é alucinante. Não há nada neles ao ponto de fazer desses três acontecimentos algo impactante. Tudo o mais se perde ainda com o fato de não só muitas coisas ficarem sem respostas, como também o livro ter um final aberto para a decisão que Edgewater toma em relação aos acontecimentos.

Sinceramente, eu esperava algo muito mais desenvolvido do que me foi apresentado ao longo dessas 168 páginas. Talvez tenha criado expectativas demais em relação ao leimotiv do texto.

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