Entre fundamentalista ou agressor, o patriarcado prevalece

Entre fundamentalista ou agressor, o patriarcado prevalece

Desconfio de que o ditado popular “em briga de marido e mulher, não se mete a colher” foi inventado por um homem que queria ter a certeza de que poderia tratar sua esposa da forma que fosse e ninguém tentaria intervir. Ainda bem que existe o feminismo pra dizer, que nessa briga, a sociedade não só pode como deve se meter, afinal, mulher não é propriedade de ninguém.

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Estamos na reta final das eleições para a prefeitura e no Rio de Janeiro, nós temos um candidato que supostamente agrediu a mulher, já que segundo o mesmo, ele já foi inocentado. Esse suposto agressor está em segundo lugar nas pesquisas e tem chances de concorrer ao segundo turno, mas elas não vão deixar. Entre fundamentalista religioso ou agressor de mulheres, eu prefiro descobrir que acordei de um pesadelo.

No final do ano passado, elas unificaram sua luta e transformaram o país com uma primavera que demorou a dar frutos, mas derrubou Eduardo Cunha e estou certa de que lutar contra todo o retrocesso que o Rio de Janeiro vai enfrentar se o tal fundamentalista vencer a eleição é algo que vai sobrar pra elas.

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O agressor em questão pede menos ódio quando a relatora da Lei Maria da Penha destaca o que ele é de verdade. Deve ser muito frustrante para o patriarcado acreditar que as mulheres são seus objetos de desejo, suas propriedades que devem estar sujeitas aos interesses de seus maridos, incluindo serem agredidas e não possuírem nenhum meio legal de amparo, até que de repente, uma deputada constrói uma lei que as protege desse mal. Não é minha intenção falar sobre a ineficiência da Lei em questão, já que isso não é culpa da relatora, mas da nossa justiça que é burguesa, lgbtfóbica, racista e machista.

Nessas eleições, os direitos das minorias encontram-se novamente ameaçados. Não bastasse um retrocesso que se abate no congresso e o golpe parlamentar, há ainda a ameaça de termos em nossa prefeitura um fundamentalista cínico que quer Escola Sem Partido, mas com religião ou um agressor de mulheres que flerta com a iniciativa privada, mas não quer que a sociedade se meta em sua vida privada, que além de representar a naturalização da violência doméstica, também significa trazer de volta o mal que se abateu sobre o Rio de Janeiro e sucateou a saúde, a educação e negligenciou o grande problema de segurança pública.

Entre a relatora da Lei Maria da Penha e o defensor dos Direitos Humanos, eu só não quero um fundamentalista ou um agressor sendo o prefeito do Rio de Janeiro pelos próximos quatro anos.

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