Hot Sul, Laura Restrepo


“María Paz é uma jovem latina que, como muitas outras, veio para a América em busca de um sonho. Ao ser acusada de matar o marido e sentenciada a passar a vida atrás das grades, ela precisa manter acesas as esperanças enquanto se esforça para provar sua inocência. Mas os perigos da penitenciária não são os únicos obstáculos em seu caminho: a liberdade pode lhe forçar a encarar um horror ainda maior que está à sua espera do outro lado das muralhas da prisão — um horror que não deixará nada impedi-lo de tomá-la para si. Poderá María Paz sobreviver a essa dupla ameaça em uma terra onde perigo e desespero estão constantemente no encalço enquanto felicidade e segurança parecem sonhos inalcançáveis?”

Estante2

Restrepo começa o seu denso romance com um capítulo que é sucedido por outros que, a princípio, não parecem ter conexão alguma, quando apresenta inicialmente a tentativa de dois jovens de entrar para uma seita religiosa, os Penitentes Brothers do Sangue de Cristo, do Sul do estado do Colorado, EUA; para em seguida dar um salto de 30 anos e tratando de um crime hediondo ocorrido no sul do estado de Nova Iorque, nas montanhas de Catskill, em que um homem depois de ser assassinado tem o seu rosto retirado do corpo e colado em um pedaço de pano vermelho, que é pregado em uma árvore.

Um começo forte, cheios de eventos que acontecem antes da página 50 (de um livro de 518 páginas).

A partir dai vamos acompanhar uns dos moradores da Catskill, o Sr. Rose e seu filho Cleve, que vai morar com ele depois de anos afastado do pai. Nesse mesmo momento,Cleve começa a dar aulas de escrita criativa na penitencíaria Manninpox, que fica nas cercanias, onde conhece a nossa heroína María Paz e de quem vamos acompanhar a história de sua vida, por meio das memórias que ela escreve, de anotações dos cadernos de Cleve Rose e do que nos fala Ian Rose para um interlocutor que só é definido nas paginas finais do romance.

Cheio de referências literárias e mesmo da cultura pop, de reflexões sobre símbolos, ritos e religiosidade, temos em Hot Sul um retrato nada brilhante do Estados Unidos, um país, como diz Ian Rose a certa altura da narrativa: cheio de camadas. É quase uma cebola, relembrando também um metáfora que aparece em o Lobo da Estepe.

E por que isso? Pois revela o modo de vida dos latinos, a relação de medo em que essa vida acontece, como a ideia de limpeza exagerada desumaniza e divide a sociedade norte-americana. Toda a ideia de liberdade que só se apresenta àqueles que tem dinheiro e são brancos.

Hot Sul é um daqueles romances que não contam apenas a história de uma personagem, ele nos desloca e nos incomoda com o que apresenta e em como apresenta e, assim sendo, é uma narrativa que embora flua muito bem, é densa e exige um bocado de quem a lê. Isso, ao contrário do que possa parecer, é um elogio e dos melhores que um livro pode receber.

Hot Sul, Laura Restrepo (capa)

Hot Sul 

Autora: Laura Restrepo

Gênero: Thriller

Páginas: 518

Editora: Bertrand Brasil

Preço:   R$ 37,20 (amazon.com.br)

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