Açúcar de Melancia, de Richard Brautigan


Sabe quando você escolhe um livro sem saber muita coisa sobre ele ou sequer ter escutado sobre quem o escreveu, e até mesmo achano o título uma coisa boba?

Bom, foi assim que escolhi o livro Açúcar de Melancia, de Richard Brautigan, publicado pela José Olympio do Grupo Editorial Record. A história se passa em euMORTE e seus arredores, além de ser narrado em primeira pessoa, por alguém que desconhecemos o nome precisamente.

Estante2

Esse narrador-personagem está escrevendo um livro e vai nos contando as coisas e peculiaridades de euMORTE, como o fato de cada dia da semana o sol ter uma cor específica ou o fato de quase tudo o que eles produzem ser feito de açúcar de melancia, que eles cultivam.

É uma escrita curta, óbvia como apresenta os fatos, de forma prática, fática e com capítulos curtos e cheios de fantasia, que no fim me pareceu ser uma espécie de metáfora para problemas como depressão e alcoolismo, muito por conta dos acontecimentos que envolvem uma parte que a maioria dos moradores de euMORTE evitam, Obras Esquecidas, que, assim como o açúcar de melancia serve para praticamente qualquer coisa, fornece coisas esquecidas que são usadas para produção de uma bebida alcoólica consumida pelos desajustados de euMORTE, que são os antagonistas que acreditam que euMORTE não é mais a mesma, após a morte do último tigre.

As 240 páginas são rápidas de serem lidas e mesmo com todas essas alegorias não há nenhum problema de entendimento na leitura e compreensão do texto, fazendo parecer ser o que eu imaginei de início, algo como uma metáfora para problemas que a maioria busca se distanciar.

A coisa fica muito mais interessante e diversa quando lemos o posfácio assinado por Joca Reiners Terron, que contextualiza a escrita de Brautigan, bem como o apresenta como um autor que se torna um ícone no movimento hippie e como sendo um herdeiro do movimento Beats.

O final desse posfácio faz considerações muito importantes sobre esse romance em questão (a parte anterior falará mais sobre o autor e outras coisas) nos permitindo expandir a nossa compreensão dos elementos que Brautigan traz para o texto e assim fazendo com que a história singela se torne algo bem maior e super gostoso de ler e pensar sobre.

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