O triunfo das Destiny’s Child em “Survivor”


Listado entre os “1001 Discos Para Se Ouvir Antes de Morrer” e completos em Março 15 anos de seu lançamento, o álbum “Survivor” (Sony Music/Columbia Records), 3° de carreira do grupo “Destiny’s Child”, revelou maturidade e a auto-suficiência do trio, pondo Beyoncé Knowles como a verdadeira líder, preparada para alçar vôo solo.

Havia clima de tensão no ar e uma pergunta que pairava a cada novo vídeo-clipe lançado para promover o álbum “The Writing’s on the Wall”  em 1999: “Por que o troca-troca de integrantes”? Enquanto explicações pouco convincentes eram dadas pela assessoria de imprensa do grupo, rumores indicavam que o empresário, Mathew Knowles, pai da Beyoncé, beneficiava por favoritismo a filha e a prima, Kelly Rowland, enquanto as outras não tinham poder de decisão e nem eram ouvidas. Após o lançamento do vídeo-clipe de “Say My Name” com as novas integrantes Michelle Williams e Farrah Franklin,  LaTavia Roberson e LeToya Luckett entraram com um processo judicial contra Mathew, confirmando os rumores. Alegando os mesmos motivos que as integrantes anteriores, em menos de 5 meses, Farrah sai de cena. A repercussão negativa gerou uma expectativa ruim sobre o grupo e a imprensa passou a questionar a durabilidade do sucesso e se haveria sobrevivência com um período tão turbulento.

Destinys-Child-1999

A resposta veio na letra de “Survivor“. De cunho revanchista, as estrofes vão apontando as realizações pessoais e até matérias conquistadas pelo grupo em frases como “pensou que eu ficaria falida sem você/estou mais rica” e “pensou que eu não venderia sem você/vendi 9 milhões”. Mais fortes, mais seguras e unidas, o sucesso do single superou expectativas e as fez faturar um Grammy na categoria “Melhor Performance de R&B por um duo ou grupo vocal” em 2002.

Destiny's_Child_-_Survivor_Single

Independência e Empoderamento – Outra canção do álbum “Survivor” que fez parte da trilha sonora do filme “As Panteras” (Columbia Pictures/2000) foi “Independent women”. A letra levanta questionamentos válidos frente a posição da mulher nas relações em que o homem, supostamente, assume o controle. Se em “Bills, bills, bills” elas questionavam se seus namorados eram capazes de pagar suas contas pra ficar tudo numa boa… Desta vez elas não faziam a menor questão e pagavam meio a meio nas saídas a dois (Always 50/50 in relantionships), encorajando a mulherada a correr atrás de sua independência, no melhor estilo “eu não preciso de você”, pondo os homens eu seus devidos lugares. Não o bastante, o discurso empoderado de “Independent women” foi dividido em duas partes.

Exaltando as curvas voluptuosas femininas, “Bootylicious” foi um tributo aos glúteos que fisgou o públicou jovem e incendiou as pistas de dança em todo mundo. É notório o uso do sample de “Age of seventeen” canção gravada em 1981 por Stevie Nicks. A cantora chega a figurar no início do vídeo-clipe, tocando violão. O cunho usado pelo trio para defunir uma mulher sexualmente atraente posteriormente foi incluído no dicionário “Oxford” em 2004.

Mas nem tudo são flores durante a audição de “Survivor“. Uma sucessão de indiretas atravessadas se percebe em canções como ” Nasty girl“, dando um toque na mulherada que se veste de forma vulgar e em “Fancy“, dando um chega pra lá para aquela que se faz de amiga, mas no fim das contas, tudo o que ela quer é ofuscar seu brilho, roubando suas idéias, lhe atravessando os interesses. A letra de “Story of beauty” foi inspirada numa carta recebida através de uma fã, que sofreu abuso sexual pelo padrasto. A música visa lhe dar forças para superar a tristeza, lhe encorajando a enxergar sua beleza interior.

Românticas – Famosas por músicas mais dançantes, era a hora do trio mostrar versatilidade como cantoras apostando em baladas. “Emotion” (Barry Gibb/Robyn Gibb)  resgate do repertório de 1977 da cantora australiana Samantha Sang foi o primeiro single do trio a atender o gênero e  no Brasil foi o primeiro tema delas a ser incluída na trilha sonora internacional da novela “As Filhas da Mãe”, novela exibida pela Rede Globo em 2001. Beyoncé saiu na frente firmando parceria com o produtor Walter Afanasieff, conhecido por trabalhar com artistas como Whitney Houston, Mariah Carey, Celine Dion, Michael Bolton e Savage Garden. “My heart still beats” e “Brown eyes” é o momento de “Survivor” em que se nota a atenção especial dada à Beyoncé e o destaque em excesso evidenciou sua pretensão em se lançar solo. “Dangerously In Love” acabou batizando o título  do seu primeiro disco em 2003.

Se havia alguma dúvida sobre a permanência do grupo nas paradas de sucesso, sobrevivendo às diferenças expostas aos olhos do público sobre quem era quem nas Destiny’s Child, “Survivor” proclamou a emancipação do trio, consolidando suas trajetórias e enterrando o período em que o grupo era um quarteto. Com formação definitiva, foi cumprido o destino que as estabeleceu como um dos grupos femininos mais bem sucedidos da atualidade.

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