Guerra dos mundos, de H. G. Wells


Agora no mês de maio, o grupo Companhia das Letras, por meio da Editora Objetiva e o selo Suma das Letras lançaram uma edição especial do livro que é considerado o marco da ficção científica Guerra dos mundos, do britânico H. G. Wells, que narra a invasão da Terra por marcianos.

Estante2

A história, como dito acima, narra como marcianos invadem a Terra e começam a destruir e dizimar os britânicos. Sim, toda a narrativa se passa na Inglaterra, ou que poderíamos considerar o primeiro foco de atenção dos extraterrestres, e isso nos é contado por meio de lembranças de um homem que aparentemente esteve presente em boa parte da ação, que também é compartilhada com o irmão, que mora em Londres.

Deste modo, é nos claro desde o início que a humanidade sobreviveu e que de algum modo os marcianos foram vencidos.

Mas, por que o livro se chama Guerra dos mundos, quando necessariamente nem uma guerra há? Além do fato de que toda a ação narrativa acontece no espaço da Ilha Britânica. Por que se considera que toda a civilização está em vias de ser exterminada.

Cheguei a algumas conclusões a essas perguntas que aparecem inclusive na introdução presente no livro e assinada por Brian Aldiss.

No que se refere ao nome podemos considerar, pelo modo como os marcianos são derrotados, que sim, são dois mundos, com trajetórias diferentes de “evolução” e que por isso os caracterizam como mundos diferentes, perspectivas que podem ser confirmadas com a teoria evolucionista proposta por Charles Darwin.

Já sobre a ideia da civilização acredito que se refira à ideia de que ingleses seriam, naquele momento do inicio do século XX, o ápice do homem culto e civilizado, com sua conduta e valores morais e seu conhecimento científico.

Algo que, de certo modo, converge para todos os filmes atuais de ficção científica em que extraterrestres invadem a Terra. Ora, o alvo é sempre os EUA e a Casa Branca.

A escolha não se dá somente por conta de onde os filmes são produzidos ou por eles serem feitos por norte-americanos, mas também pela concepção que eles (estadunidenses) veem a si próprios. Vistos e propagando a ideia de uma superpotência, seja política ou bélica, os norte-americanos seriam o alvo primeiro de espécies extraterrenas, afinal, subjugando o povo mais poderoso do planeta, a conquista dos outros se tornaria uma mera consequência.

Sobre outros aspectos do livro, há algumas descrições e ideias muito interessantes sobre as máquinas e a fisiologia marciana, porém, de uma forma geral, a narrativa não me chamou atenção pelo tom utilizado.

Parecemos estar diante de um relato jornalístico que não me despertou nenhuma empatia pelo sofrimento humano diante da destruição causada pelos marcianos. Pareceu-me tudo muito frio e nem posso considerar que isso se deva ao fato de ser um relato de memória, feito tempos depois de todo o ataque ter acontecido.

No mais, penso que a introdução de Aldiss poderia ter vindo como um posfácio, pelo seu tamanho e quantidade de informações e conjecturas apresentadas sobre a obra, que acabam nos cansando um pouco antes da leitura da narrativa. A entrevista ao fim, com H. G. Wells e Orson Welles, me pareceu meio que editada, já que não tive a impressão de não estar concluída enquanto ideia ou objetivo, já o prefácio de Braulio Tavares é a medida exata de informação, interpretação e tamanho em um estilo fluido e agradável de escrita.

Assim, Guerra dos mundos se mostrou uma leitura muito interessante e que nos coloca diante uma das raízes da ficção científica atual, seja literária ou cinematográfica/ televisiva, mas nada que tenha me deixado apaixonado pela obra.

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