Tá todo mundo mal, Jout Jout


Julia Tolezano, mais conhecida como Jout Jout, do canal homônimo no youtube é a autora do livro Tá todo mundo mal: o livro das crises, publicado pela Editora Companhia das Letras.

Estante2

O livro da Jout Jout é mais um livro de youtuber publicado no Brasil e o primeiro que eu li desse grupo e, pelo que pude perceber, ao contrário do que parece ser o livro da maioria, ele não se concentra no gênero biografia. Como a própria Jout Jout diz, o que ela poderia dizer de super incrível e interessante da vida dela, no alto dos seus 25 anos de idade?

Eu concordo com ela. No entanto, os seus textos, crônicas recheadas de humor, são provenientes de coisas pelas quais ela passou, são fruto das experiências de vida, assim, tem um leve fundo autobiográfico, que logo ganha um distanciamento que busca analisar e tirar algumas lições (às vezes) de tudo isso, como se fossem pequenas fábulas, que visam não o ensinamento, e sim (pelo menos é a maneira como eu vejo) de empoderamento, de mostrar que as crises todas têm uma luz no final do caminho, quase como um livro de autoajuda, sem o sê-lo. Não é um livro de autoajuda, porque ao invés de te dizer que você é incrível e especial, ela aproxima você dela, e vice-versa, mostrando que todo mundo tem lá as suas crises e que muitas podem ser compartilhadas e, logo, que não estamos sozinhos no mundo.

As crises vão desde as mais voltadas para o público adolescente como para o público adulto e, embora eu tenha me divertido com todos os textos e me visto em todas as crises em maior ou menor grau, nem que pelo simples processo de empatia, foi com as crises da época da faculdade e das crises de emprego que mais me identifiquei.

A ideia de não ter escolhido o caminho certo, de não conseguir me ver em um emprego “normal” ou a pressão para se estar nesse caminho seguro e estável estão presentes nesses textos e, acredito que refletem não apenas as crises que eu tive e tenho em relação a esse assunto, como a de muitas pessoas por aí. Ainda mais em tempos como os que estamos vivendo.

Ah, falando em crises. O livro de Jout Jout me causou uma crise com a capa, pois ela sempre me confundia! Eu, toda vez que pegava o livro, tendia a abri-lo com o rosto dela em posição “normal”, ou seja, sem estar de cabeça pra baixo, só pra descobrir que eu tinha pegado o livro de cabeça pra baixo. E isso nunca fazia sentido na minha cabecinha de pensamento cartesiano.

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