Pepeu Gomes e sua fase rockstar nos anos 80


Celebrado os 50 anos de carreira do cantor e guitarrista baiano Pepeu Gomes, com a bem-vinda reedição do seu primeiro disco solo em 180 gramas “Geração de Som/1978”, em vinil pela Sony Music, a coluna Nossa Senhora do Comeback relembra o momento em que o cantor entrou em ascenção, ao aprender a falar a língua do pop influenciado pelo new wave e pelo rock nacional.

nossa senhora do comeback

Pepeu já havia mostrado força como cantor popular de sucesso no início dos anos 80, a bordo de sucessos como “Meu coração” e “Eu também quero beijar”. A guinada para o universo pop se deu quando sua imagem ficou mais antenada à moda da década, apostando em um visual mais ousado e com cortes de cabelo assinados pelo hairstylist Nonato, tal qual a de sua então esposa, Baby Consuelo.

O casal apostou em um colorido pouco explorado pelas celebridades do país. Pepeu Gomes passou a se comportar como um rockstar e não mais como um guitarrista, como ainda era visto pela crítica em geral. Suas músicas passaram a circular nas FM’s com maior força, sendo incluídas em trilhas de novela, lhe trazendo grande visibilidade e, consequentemente, apelo comercial. O som fica menos abrasileirado e mais internacional. Aquele Pepeu do samba, do chorinho, integrante dos Novos Baianos sairia da posição de músico virtuoso para virar produto de consumo, moldado para um público mais jovem. Em outras palavras: Um ídolo.

lp-222-varios-nac-pepeu-gomes-um-raio-laser-107601-MLB20389680780_082015-F

A transformação se deu com o lançamento do disco “Um Raio Laser” (Warner Music/1982), produzido por Guti Carvalho. A começar pela capa, Pepeu surge com uma vestimenta futurista, desenhada pelo estilista Tony Maravilha, que muito remete a de um super-herói. Pepeu apostou no funk e emplacou 3 hits: A faixa-título, resgatada posteriormente pela banda Jota Quest no álbum “Oxigênio/Sony Music/2000”. “Fazendo música, jogando bola”, que também fez parte do repertório do cantor Pedro Mariano no disco “Voz No Ouvido/Trama/2000” e a balada com clima de luau, “Planeta Vênus”, tendo a participação da filha Sarah Sheeva, assinando co-autoria com apenas 9 anos.

Discos-de-Vinil-0608-50 (1)

Em 1980, a companhia CBS passava por um processo de reformulação, ao perceberem que a gravadora tinha apenas um único artista que representava 80% de venda, no caso, Roberto Carlos. O resto era só prejuízo. A chegada do espanhol Tomás Muñoz ao Brasil redirecionou as estratégias de marketing, disposto a tornar a CBS a gravadora-líder do mercado, com um casting local forte, desenvolvendo a carreira de artistas já consagrados. Com o apoio do diretor artístico Marcos Maynard, a CBS passou a comprar o passe de artistas populares. Primeiro tiraram a cantora Simone e o Djavan da EMI-Odeon. Na sequência, Pepeu Gomes, que retorna à casa onde gravou o seu disco de estréia, 5 anos depois.

Masculino e Feminino – Com o excelente resultado do disco “Luz” do Djavan, foi proposto que Pepeu Gomes tivesse o mesmo tratamento e trabalhasse com o mesmo produtor, Ronnie Foster, com a chance de também gravar e mixar o disco fora do país, com músicos de quilate, figurando na ficha técnica: Paulinho da Costa, Larry Williams, Abraham Laboriel e a trupe de metais do Seawind Horns.

Seu primeiro disco foi gravado com apenas 8 canais e uma série de limitações. Desta vez, haveria pompa, já se intencionando uma carreira internacional. Só os custos da gravação deram cerca de 100 mil dólares. Pepeu vai para Los Angeles acompanhado de seus irmãos, Jorginho e Didi e passa 2 meses no estúdio Yamaha na produção.

lp-222-varios-nac-pepeu-gomes-masculino-e-feminino-789601-MLB20389677858_082015-F

A grande polêmica ficou em torno da canção que batizou o disco, eleita para figurar na trilha sonora nacional da novela “Eu Prometo”, última escrita por Janete Clair, usada para a personagem “Tetê”, interpretada por Inês Galvão, uma menina que se veste como um menino.

Apesar de não falar abertamente sobre diversidade sexual ou ter uma temática gay, assim o público entendeu. Levaram à sério e começaram as suposições de que ele seria “aberto”, gerando muitas controvérsias sobre sua orientação sexual.

Pepeu contou que a inspiração da letra veio a partir de um bate-papo com as filhas, ainda pequenas, sobre menstruação. Para que houvesse melhor entendimento na comunicação, Pepeu pensou consigo: “Preciso virar uma mulher agora pra explicar isso pra elas”. De qualquer forma, a capa do disco, concebida e criada por Baby Consuelo, acabou engrossando o coro de que o rockeiro Pepeu estava menos “macho”, a julgar pela espessa maquiagem usada em seu rosto, com direito à batom, expressando uma androginia digna de um David Bowie. Tudo isso acabou ajudando a impulsionar as vendas do disco e somou, junto ao público, mais um sucesso que até hoje ronda o seu repertório.

Nos anos 80 Pepeu desfrutava de imenso prestígio tornando-se uma referência para uma geração de novos guitarristas, a ponto de subir ao palco principal da primeira edição do Rock In Rio, como estrela máxima, em Janeiro de 1985, época em que o new wave e o rock nacional estavam a todo vapor nas paradas de sucesso. Pepeu estava na crista da onda e em sua melhor fase.

Previous Bolsonaro e a cultura do estupro
Next Homossexual (Negro) 'is the new' bruxa

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *