Esta terra selvagem, de Isabel Moustakas


112 páginas de verdadeiras atrocidades no meio urbano, que não tem como não fazermos paralelo com as barbaridades que temos visto nos últimos dias, como foi o caso do estupro coletivo de uma menina de 17 anos por 33 homens no Rio de Janeiro, ou de outro, menos noticiado, ocorrido no Piauí.EstanteÉ sobre violência de que se trata o romance de Isabel Moustakas, uma violência que tem por objetivo fazer uma higienização da sociedade paulista. Uma versão tupiniquim do neonazismo, do qual até meios judeus acabam fazendo parte.

Tudo muito atual, visto que temos assistido pelo mundo o crescimento de uma intolerância de todos os tipos, religiosa, sexual, de gênero, de raça.

O livro nos conta a história do jornalista João, um repórter policial que consegue uma exclusiva com uma menina que viu os pais serem espancados, a mãe ser estuprada e depois ambos serem queimados vivos, antes de ser sequestrada e violentada por quase uma semana.

Após terminar a entrevista, ela se suicida.

É então que João começa a ser ver preso no emaranhado que se tornou a investigação, envolvendo este grupo neonazi que tem assombrado as ruas de São Paulo.

Moustakas nos presenteia com uma “imaginação” muito cruel, no que se refere aos métodos utilizados pelo “grupo de extermínio”, ainda bem que a maneira como escreve é de uma agilidade incrível, fazendo com que passemos rapidamente, mas bem impressionados, com o que nos é narrado.

Sobre a forma do romance, achei bastante interessante e legal a utilização de pequenos parágrafos em páginas únicas, como se fossem recortes de cena, como se estivéssemos assistindo a uma série de tevê ou filme, garantindo assim a permanência dessa dinamicidade existente em todo o romance.

Esta terra selvagem é um livro cru, cruel, mas tão cruel como os dias que temos vivido em nossas vidas reais.

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