Será que a Warner vai perder o medo da Mulher Maravilha?


Levou “apenas” 75 anos, mas com a estreia de Batman v Superman – A origem da justiça o mundo viu, pela primeira vez, a Mulher Maravilha nos cinemas. Depois das críticas sobre a escalação da israelense Gal Gadot para o papel, é interessante que a opinião do público sobre o último filme da DC destaque a personagem como um ponto alto, o que levanta a questão: será que finalmente a Warner vai perder o medo da princesa amazona?

NerdandoPor muito tempo, os representantes dos grandes estúdios de cinema justificaram a falta de filmes de ação estrelados por mulheres com o fato de que uma ou outra produção realizada foi um fracasso de crítica ou de bilheteria. Não importa que diversos filmes “de macho” tenham roteiros hediondos e vários tenham dado prejuízo. Todos se lembram da Mulher Gato de Halle Berry e da Elektra de Jennifer Garner, e durante anos o fantasma desses filmes foi o suficiente para que se decretasse que o gênero não comporta heroínas, mas agora temos um cenário diferente…

O debate feminista está cada vez mais forte e a cobrança por maior representatividade em produtos de consumo também. A saga Crepúsculo provou que o público feminino adolescente pode movimentar muito dinheiro e séries como Jogos Vorazes e Divergente levaram suas protagonistas para um público mais abrangente, e o sucesso estrondoso de Ray em Star Wars: O Despertar da Força provou que não só estamos preparados para ver mais girl power nas telas, mas que queremos isso. Aliás, Daisy Ridley, a intérprete de Rey, está cotada para viver a musa dos games Lara Croft em uma nova adaptação cinematográfica de Tomb Raider, lançando outra franquia para o mercado geek. E enquanto a Viúva Negra e a Feiticeira Escarlate se colocam em lados opostos da Guerra Civil e o filme da Capitã Marvel avança na produção, a Fox finaliza uma aventura em que os X-Men são liderados pela Mística de Jennifer Lawrence e a Warner se prepara para lançar o filme que deve definir o filão.

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Embora a performance de Batman v Superman esteja mais do que satisfatória nas bilheterias e até na opinião do público, o filme de Zack Snyder foi massacrado pela crítica. A história confusa, os cortes violentos, o ritmo lento, os flashbacks desnecessários… Tudo foi criticado. A única unanimidade entre críticos e fãs é a breve participação da Mulher Maravilha no filme, e uma pesquisa apontou que 88% das pessoas comprando ingressos antecipados consideravam a estreia da heroína o maior atrativo do longa. Até a eletrizante música tema da personagem, Is She With You?, vem ganhando atenção especial e sendo apontada como um dos acertos, ainda que a participação da heroína seja mínima.

wwomanNo fim das contas, esse é um dos maiores acertos do filme. Ela está lá e é maravilhosa, seu papel na Liga da Justiça está estabelecido, mas nada da negatividade lançada sobre Batman v Superman conseguiu afetá-la e o hype gerado em suas poucas cenas deve ser suficiente para aumentar o interesse por seu filme solo.

Ela é um ícone feminista e é emblemático que ela seja a primeira heroína de peso a ganhar um filme próprio. Desde sua escalação em dezembro de 2013, Gal Gadot tem demonstrado paixão pela personagem e afinidade com a personalidade da Diana dos quadrinhos, respondendo às críticas com elegância e de forma cativante. Além disso, as cenas de luta no filme provaram que ela é capaz de lutar com a ferocidade da amazona, mas sempre deixando claro que a maior força da Mulher Maravilha está em seu coração, em sua infinita bondade em relação à humanidade.

O próximo filme do universo cinematográfico da DC é Esquadrão Suicida, e ainda não está claro como a história vai seguir com os fatos apresentados em BvS. A data marcada para o lançamento de Mulher Maravilha é 23 de Junho de 2017, mas já se sabe que o filme se passará no início do século XX, de forma que se não existir um salto para o presente, só reencontraremos a Diana que conhecemos na batalha contra o monstro Apocalipse no filme da Liga.

ThemyscyraLogo após a estreia de BvS a Warner divulgou a primeira foto oficial do filme da heroína, mostrando a princesa Diana rodeada pela mãe, a Rainha Hipólita (Connie Nielsen), pela general Antiope (Robin Wright) e pela tenente Menalippe (Lisa Loven Kongsli), que segundo a diretora Patty Jenkins dividem visões diferentes sobre a educação da única criança nascida na ilha de Themyscira.

Em entrevista, a diretora garantiu que o elenco de amazonas terá uma variedade étnica muito maior, já que essa é apenas a família direta de Diana, e falou novamente sobre a bondade da Mulher Maravilha ser sua grande força, não uma fraqueza, e que espera que esse representação tenha apelo para as mulheres.

A divulgação da foto não foi um acaso, e provavelmente a divulgação do filme ficará mais pesada logo depois de Esquadrão Suicida, que estreia em Agosto. Além do mais, esse ano a personagem completa 75 anos e DC Comics está lançando diversos produtos estampados com ela, que sempre foi um sucesso de vendas no mercado de licenciados.

Nos quadrinhos, a editora está passando por uma nova reformulação – chamada Rebirth – que vai definir os rumos de todo o universo DC para os próximos anos. Agora, o uniforme da Mulher Maravilha está muito mais próximo do usado por Gal Gadot nos cinemas, com o saiote substituindo a calcinha estrelada, e o roteiro será assinado por Greg Rucka, que é autor de uma das fases mais aclamadas da personagem no passado. A espada parece ter vindo para ficar e o uso do laço dourado da verdade em BvS ainda não foi suficiente para deixar claro todos os seus poderes.

Mais do que nunca, a pressão para que o filme dela seja um sucesso é enorme, e o timing é perfeito para isso. Tudo indica que finalmente a Warner está pronta para investir – e capitalizar – com a heroína, e meu palpite é que seu status de ícone e as críticas positivas farão do filme um sucesso certeiro, pelo menos a princípio. O fundamental é que os caras por trás das decisões não fiquem com medo de apresentá-la como o símbolo feminista que é, e que as estratégias de marketing utilizadas para promover o filme e talvez principalmente os produtos gerados por ele levem em conta o debate sobre o sexismo e sobre o papel da mulher na sociedade.

Se a Mulher Maravilha dos cinemas conseguir levar essa mensagem ao “mundo dos homens” e estimular mudanças efetivas na sociedade, ela entrará para a história como a única personagem fictícia a realizar seus objetivos no mundo real. E se há alguém capaz disso, sem dúvidas, é ela.

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