“Dia Internacional da Mulher: não queremos flores, queremos respeito.”


Pessoalmente, gosto muito do título desse texto por que me remete à muitas lembranças. No Coletivo Feminista Atena que eu frequentava e está em fase de encerramento – por vários motivos que não vou entrar nesse texto – minhas parceiras de luta e eu usávamos esse lema no dia 8 de março.

venusDe fato, para quem é feminista, 8 de março é um dia redundante. A começar pela distorção total da significação dessa data. Há quem acredite que o Dia Internacional da Mulher surgiu a partir do incêndio da fábrica de tecidos em Nova York, quando várias operárias morreram, ou a partir de lutas de movimentos feministas bem anteriores, quando permitiram o início de nossas conquistas. Além disso, é necessário ver o que há em comum: reivindicações, lutas por direitos, conquistas de espaço e voz.

A violência contra a mulher foi tema do ENEM em 2015. As movimentações pelos direitos da mulher no Brasil surgiram em meio aos grupos anarquistas do início do século XX. Conseguimos direito ao voto aqui – depois de muita luta – em 1932. A discussão sobre a igualdade de gêneros, saúde da mulher e sexualidade começou na década de 1970. A primeira Delegacia Especializada da Mulher surgiu em 1985. A lei Maria da Penha foi promulgada em 2006. Notem o quanto essas “conquistas” foram tardias.

No entanto, ainda em 2015, nos 10 primeiros meses, foram feitas 63.090 denúncias de violência contra a mulher. Nessas denúncias estavam incluídas as violências física, psicológica, moral, patrimonial, cárcere privado, sexual, dentre outras. E aí, depois de sermos agredidas, mutiladas, estupradas, abaladas emocional e psicologicamente, nos presenteiam com flores?

Vou repetir, não queremos flores.

Queremos o direito de ir e vir.

Queremos o direito de existir sem correr risco de vida.

Queremos o direito de escolher ou não engravidar.

Queremos o direito de sermos escutadas e sem precisar alterar a voz.

Queremos o direito de ter o nosso corpo da forma que bem quisermos.

Queremos respeito à nossa sexualidade.

Queremos salários iguais pela mesma qualificação.

Queremos tarefas domésticas compartilhadas.

Queremos o cuidado com as filhas e filhos compartilhado também.

O dia 8 de março sempre foi e sempre será dia de LUTA. Flores quando arrancadas morrem, deixem-nas onde estão. Nós, mulheres, somos sementes. Tentam nos enterrar há séculos, mas estamos aqui crescendo, fortes, lutando por dignidade e cada vez mais unidas. Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

Abaixo, deixo um documentário interessante sobre a Marcha Mundial das Mulheres que acontece no mundo todo a cada cinco anos. Vale a pena assistir!

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