Pesquisadores registram primeiro caso de HIV em homem usuário do Truvada


Pesquisadores do Canadá anunciaram, em uma conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, o primeiro caso de homem que faz uso regular do Truvada e que ainda assim foi contaminado pelo vírus HIV. Ele é um canadense de 43 anos de idade, que faz sexo com outros homens, e tomava o medicamento usado na profilaxia pré-exposição (Prep) diariamente há dois anos.


Os profissionais envolvidos na pesquisa ressaltaram que a descoberta não deve servir para para alarmar as pessoas que estão em uso do Truvada. Eles acreditam que casos de infecção por HIV com pessoas que fazem a profilaxia devem continuar raros.

“De forma alguma é um caso para pânico. É um exemplo que demonstra que a Prep pode por vezes ser ineficaz em casos de vírus resistentes ao medicamento, do mesmo modo que um medicamento em soropositivos pode, por vezes, ser ineficaz em face do vírus ser resistente”, disse Richard Harrigan, médico-diretor do British Columbia Center, em Vancouver, um dos pesquisadores envolvidos no estudo do caso. “Esta descoberta demonstra que o PrEP é benéfico, mas não podemos contar com o medicamento para ser uma bala mágica infalível”, concluiu.

Os exames no homem infectado com HIV comprovaram que ele fazia uso diário do Truvada. A análise genética de seu vírus, realizada em uma amostra retirada uma semana depois de o teste dar positivo, sugere que ele contraiu o vírus de um único indivíduo. Um vírus com uma mutação mais resistente aos medicamentos. Segundo os pesquisadores, ele não apresenta qualquer sintoma e está muito bem de saúde.

O Truvada ainda é um medicamento experimental no Brasil. O Ministério da Saúde vem fazendo estudos com homens que fazem sexo com homens. O órgão pode vir a torná-lo mais uma forma de prevenção ao HIV no país. Nos Estados Unidos, O FDA, órgão do governo americano que controla drogas e alimentos, autorizou em 2015 a comercialização do Truvada para a prevenção da Aids. O medicamento deve ser tomado todos os dias religiosamente para que a eficácia seja garantida.

De acordo com os estudos realizados ao redor do mundo, o Truvada oferece 99% de segurança contra a possibilidade de contaminação pelo vírus HIV. Em 2014, especialistas reunidos na Conferência Internacional de Aids apresentaram estudos com populações que fizeram uso do Truvada nos cinco continentes. Os resultados apontam que o uso do medicamento não incentiva o sexo desprotegido e que a droga é eficaz até mesmo quando o paciente esquece de tomar em um dos dias.

Autoridades em saúde pública lembram que o Truvada é mais uma forma de prevenção ao HIV, mas o uso de preservativos não deve ser abolido já que o medicamento não previne outras DSTs, como a Hepatite C.

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