Nossa relação com nosso corpo e com nossos coletores menstruais.


O que  vem na minha cabeça quando penso em coletores menstruais? Liberdade!

O maravilhoso e o assustador de se viver na Era das Redes Sociais é que muita coisa é viralizada: muita música, muita piada, muita informação. Legal. Ótimo. Isso tudo se torna muito útil se não só damos uns likes nos compartilhamentos e nos vídeos, mas se procuramos trazer algumas destas soluções que brotam na frente de nossas telas para nossas vidas.

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Gurias feministas ou “feministas encubadas”- depois vou escrever um texto sobre isso, rs – vêm falando muito sobre os coletores menstruais por várias razões. E aqui estou eu, para conversar um pouco a respeito do que li e da minha experiência com o coletor menstrual. Comecei a prestar atenção neste assunto quando grupos e páginas feministas que curto na internet postavam textos a respeito da necessidade de nós, mulheres, possuirmos uma nova relação com nosso ciclo menstrual.

Falo disso porque, para começar, minha primeira menstruação aos 12 anos de idade, foi motivo de risada para minha mãe. Foi fato que na época, ao me desenvolver e ainda compreender o meu corpo, deixou-me muito envergonhada. Na época, pedi que ela mantivesse segredo, pois desde a primeira menstruação, detestei a situação toda. Eis os motivos:

I- Os meus pais acharam engraçado;
II- A minha mãe não respeitar meu momento e falar para cada criatura que entrava na minha casa ou que ligava para ela o que tinha acontecido comigo;
III- Começarem a vigiar minhas roupas e meus comportamentos depois de menstruar, pois agora eu era uma “mocinha” – palavra  que eu O D E I O;
IV- O pânico que surgiu de uma possível gravidez e assim, aos 12 anos e alguns meses, comecei a tomar pílula anticoncepcional. Esse processo foi simples: ninguém me disse que um cara que não quisesse usar camisinha era um babaca e principalmente que engravidar não era o único risco que eu corria. A ginecologista, que era mulher – isso é uma raridade e também não me ajudou muito –, receitou pílulas para uma menina de 12 anos. Hoje em dia, eu tenho 26 anos de idade e mais de 10 anos de pílula anticoncepcional.

Mãe, se você ler esse texto, saiba que não tenho raiva. Sei que a falta de sensibilidade com que fui tratada, você foi tratada também. E que por esse motivo acabou reproduzindo em mim toda essa merda. Acontece que faço da parte da geração do tombamento, da geração das crianças índigo.Tudo o que não faz muito sentido termina conosco. Por que sem por que não faz sentido e não acontece. Gosto de motivos e aqui estão os meus.

Só consegui perceber toda essa merda em que estive metida depois de conhecer o Feminismo, depois de passar por alguns relacionamentos abusivos – com homem e com mulher que estão dentro do patriarcado capitalista e veem as parceiras como propriedades – e muitos anos de terapia.

Atualmente estou há 5 meses sem pílula e o meu ciclo menstrual está totalmente alterado, o que não é para menos. Em compensação emagreci uns bons quilos, por conta da retenção de líquidos que parei de ter. Minha pele ficou mais firme, já que estava flácida e cheia de celulites. Tudo isso diminuiu muito. E em um ritmo muito rápido desde que aboli a pílula da minha vida.

Aliado a isso, surgiram os textos dos coletores menstruais, que mostravam o outro lado dos absorventes. Há estudos, nada muito divulgado aqui no Brasil, que afirmaram detectar dioxina, uma substância que prejudica o sistema imunológico e em grandes quantidades até mesmo cancerígena,  e amianto, outra substância que estimula o sangramento e consequentemente maior utilização do produto, em absorventes. Se isso é verdade? Eu não sei. Creio tanto nas indústrias de absorventes quanto nos relatórios da Samarco de que a lama em Minas Gerais não é tóxica.

MAS a minha experiência com o coletor menstrual está sendo M A R A V I L H O S A.

Ele simplesmente não vaza. Ele super se adapta ao corpo. Não me incomodou em nada. Esqueci que estava com ele. Tive uma sensação de segurança, que o absorvente não me deixava por que a gente sabe que vai sujar a calcinha e até a calça, dependendo do fluxo. Ele é feito de um material hipoalergênico, isto é, ótimo pras que têm alergia aos absorventes que vêm com uns perfumes bizarros de rosas. Ele é econômico! Quanto eu gastava com absorventes por mês? Por ano? Acabou! É ecológico! Isso me faz brilhar os olhos. Cada mulher usa em média 10 mil absorventes durante a vida e cada um demora 100 anos para se degradar. Já o coletor, podemos usar durante todo ciclo menstrual, higienizamos e o utilizamos por 5 anos. SIM! SIM! SIM!

JoutJout, a amada, falou sobre o coletor em um de seus vídeos, bora assistir:

Nós, mulheres, sabemos: o mundo foi feito para os homens. O mundo não atende as demandas das mulheres. O mundo ri da TPM, mas quem sente sabe da alteração emocional, física e psicológica que ela traz. O mundo ri da menstruação. Precisamos, no entanto, a partir dos nossos espaços construir a diferença em nossas falas e práticas, seja em nossas vidas, com nossas filhas, primas, sobrinhas, para que não passem as mesmas violências que passamos, para que estas meninas tenham uma relação com o seu feminino menos agressiva e alienante de si mesmas. Que o futuro das mulheres traga relações melhores e mais leves com os seus corpos. Não vamos mais permitir que nos envergonhem por sermos mulheres! Tá esperando o que? Começa com o copinho!

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