Pelos poderes de Grayskull – Segundo LP do Trem da Alegria faz 30 anos


A década de 80 foi responsável por promover a ascensão de artistas que dedicavam seu trabalho a um rentável público de baixa faixa etária, porém consumidora de música. Diversos grupos infantis como a Turma do Balão Mágico, Abelhudos, Bombom beneficiaram-se de um momento em que a música brasileira estava em pleno vapor na mira comercial e com o plano cruzado facilitando a compra de discos, as gravadoras investiam altas somas para divulgar os contratados do seu casting. Neste cenário, surge o Trem da Alegria com uma novidade: a adesão da cantora-mirim Vanessa, de 12 anos, para o lançamento do 2° LP do quarteto em 1986 – “Trem da Alegria” -, com uma canção que homenageia o príncipe do reino de Eternia, Adam, mais conhecido como He-Man.

nossa senhora do comebackA faixa que catapultou o sucesso do grupo foi composta pelos hitmakers Michael Sullivan e Paulo Massadas. A letra foi inspirada na história do herói responsável por manter bons índices de audiência do programa matutino “Xou da Xuxa” (Globo). O refrão cantado como o grito de guerra “pelos poderes de Grayskull” conquistou a criançada e o videoclipe, exibido no Fantástico, impulsionou as vendas do disco. Semanas depois, em seu programa, Xuxa Meneghel entregou ao grupo o disco de platina, pela marca de 400 mil unidades.

https://www.youtube.com/watch?v=9ZnJ2SDkWU0

A integrante Patricia, que ainda não assinava Marx, encontra na faixa “Zeppelin” um ótimo veículo para destacar sua voz, dividindo vocais com Serginho Herval, do Roupa Nova. Na sequência, Xuxa (madrinha do grupo) participa nas divertidas “A patinha da vovó” e “Na casca do ovo”. Esta última, joguete de mentirinhas absurdas típicas de 1° de Abril, conta com o apoio de Sylvinho, que partia em carreira solo após passagem no grupo “Absyntho”.

Positividade – A faixa “Tic tac do amor” ganhou colaboração sob medida de Joe Euthanázia, falecido em acidente automobilístico em 1989 e figura frequente da cena new-wave, sendo coautor de hits como “Mintchura” (Neuzinha Brizola), “Tudo pode mudar” (banda Metrô) e de “She-Ra” (Xuxa). A letra, que reforça o poder de acreditar nos sonhos, possui caráter positivo e estimula a força interior presente em cada um. O disco termina com “A boneca e o soldadinho” (Michael Sullivan/Paulo Massadas), dueto com Luciano e Patricia. Os personagens, apesar de fazerem parte do universo infantil, vivem um tema muito comum até mesmo entre os adultos: a busca da superação do abandono, da baixa autoestima, da rejeição, encontrando no amor a solução ideal para vencer o desprezo.

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(Foto: João Caldas)

O disco consolidou o sucesso do grupo e o pôs entre os favoritos da garotada. Iniciou-se posteriormente uma série de canções temáticas dedicadas a super-heróis em voga na época como “Thundercats” e “Jaspion-Changeman”. Facilitou fugir do toque clássico presente nos arranjos dos discos do Balão Mágico feitas pelo maestro Chiquinho de Moraes e partir pra uma sonoridade mais pop-eletrônica criada por Lincoln Olivetti e Robson Jorge como fator diferencial. Há 30 anos, o Trem aumentou sua velocidade nos trilhos e pendurou metais preciosos na parede.

Relembre os sucessos do passado na Nossa Senhora do Comeback, a coluna musical d’Os Entendidos.

 

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