Barbra Streisand pronta pra dançar em “Wet”


Barbra Streisand estava com 32 anos quando gravou o álbum “Wet”, seu 22° álbum solo, lançado em 1979 pela gravadora Columbia Records. Numa época em que a disco music dominava as paradas de sucesso com artistas como Bee Gees, Cheryl Lynn, Chic e Abba, a cantora soube oferecer ao público canções voltadas às pistas de dança, assim como canções de amor, unindo o soft-rock com o pop e conseguiu (com o apoio da Donna Summer) ter uma música em primeiro lugar nas paradas de sucesso: o dueto “No more tears (Enough is enough)”.

nossa senhora do comebackBarbra_Streisand_-_WetConceito

“Wet” tem como fio condutor canções que remetem a água, seja ela como fenômeno meteorológico em forma de chuva ou como fluído corporal em forma de lágrima. Para o bem ou para o mal, a água nas músicas do disco possui poder catártico, aliviando dores e acalmando tensões. Em muitos momentos, a cantora traz mensagens de esperança, mesmo quando a tristeza insiste em querer participar da história, com palavras de incentivo, estimulando o bom ânimo pelo bem estar.

Resgate – Barbra trouxe de volta um clássico de Harold Arlen e Johnny Mercer. Gravada originalmente em 1946 e com leituras respeitosas já feitas por Sarah Vaughan, Billie Holiday, Ray Charles e Frank Sinatra, ela deu para “Come rain or come shine” um ar contemporâneo vigoroso, acompanhada do solo de guitarra feito por Larry Carlton e por um percussionista brasileiro (e carioca), Paulinho da Costa. “Splish Splash” (sim, aquela célebre canção gravada por Roberto Carlos em 1963, com letra em português do Erasmo), também entrou no repertório com a mesma proposta rock n’ roll da original de 1958, cantada por Bobby Darin. Steve Lukather, guitarrista da banda Toto, participa da faixa, assim como o vocalista Bobby Kimball.

Divas unidas –  Barbra já havia feito incursões pela disco music em “The main event/Fight”, nomeado ao Globo de Ouro naquele ano de 1979. Os compositores Paul Jabara e Bruce Roberts, felizes com o resultado, decidiram compor mais um tema para ela, porém um dueto, no qual duas amigas se aconselham e se consolam, pondo fim a um relacionamento que as faz infelizes. Por sorte, Jason Gould, filho de Barbra de apenas 13 anos, era um grande fã de Donna e, entusiasmado com a ideia de vê-las juntas, insistiu para que o projeto se concretizasse. Ele chegou a ser creditado nos agradecimentos do disco por suas opiniões.

O produtor Giorgio Moroder (já conhecido por revitalizar o gênero, trabalhando com a cantora Roberta Kelly em “Zodiacs”) foi escalado. Contou Donna na época que, ao acompanhar Barbra, estendendo a nota por 12 segundos no último trecho da canção, perdeu o ar e se desequilibrou, indo ao chão. Assim como todo encontro de duas grandes divas gera repercussão, o inesperado dueto foi bem recebido pelo público. Só o single chegou a marca de 2 milhões de cópias vendidas.  “No More Tears (Enough Is Enough)” ficou quatro semanas em primeiro lugar na Billboard na categoria “disco”.

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Legado – Com a necessidade que muitos artistas têm de se reinventar, oferecendo frescor a um disco atento ao som da moda e coerente com sua época, Barbra Streisand, conhecida por suas atuações em musicais da Broadway e no cinema, conseguiu com o álbum “Wet” trilhar pelo caminho da música popular, sem para isso perder sua identidade em nome do sucesso. Manteve a aura clássica ao incluir orquestra de cordas nas baladas que exigiam caráter dramático e soube usar o conceito do disco em torno da água numa trilha não convencional. Interessante observar que o disco abre e fecha com a cantora falando “wet”, tanto na faixa-título, como em “Kiss me in the rain”, de levada country. Passados 36 anos de lançamento, o disco continua mais do que contundente na playlist de hoje.

Relembre os sucessos do passado na Nossa Senhora do Comeback, a coluna musical d’Os Entendidos.

 

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