Talento de berço: Wanessa Camargo completa quinze anos de carreira

Talento de berço: Wanessa Camargo completa quinze anos de carreira

Já fazia tempo que Wanessa Camargo aparecia em programas de auditório acompanhada do pai, Zezé di Camargo – ora dançando, ora soltando sua voz em músicas como “Can’t let go” da Mariah Carey e de diversas cantoras americanas nas quais se espelhou. Não demorou muito e, em meados do ano 2000, a gravadora BMG a contratou para fazer parte do seu casting, uma vez que o mercado nacional estava aquecido com a explosão da música pop e o poder jovem comandava as programações de TV e das FM’s.

O momento era propício, já que, naquele ano, tínhamos como figuras fáceis grupos como o “KLB”, “SNZ”, “Twister”, “Rouge”, a dupla Sandy e Júnior, Pedro e Thiago e até a Karina Battis (por onde ela anda?). Foi neste cenário que a Wanessa Camargo surgiu, disputando espaço com todos eles. Quase como uma sobrevivente, sua carreira completa quinze anos, contados a partir do lançamento do seu primeiro disco de título homônimo em Outubro de 2000, pela BMG/RCA, quando tinha apenas dezessete anos.

nossa senhora do comeback

Produzido por Jason Deere e César Lemos, durante sua estadia em Miami, o disco de estreia de Wanessa reúne repertório que mescla o pop-rock e as baladas românticas que figuraram entre as mais tocadas desde o seu lançamento: “O Amor Não Deixa” (Love won’t let me), “Eu posso te sentir”, versão em português escrita por Dudu Falcão para “Breathe” da cantora Faith Hill e “Apaixonada por você”, primeira canção a ingressar uma trilha de novela da Rede Globo, “Um anjo caiu do céu”. O produtor do disco, por ser de Nashville, utilizou-se da influência da música country e do folk para a feitura do álbum, ao aderir nos arranjos instrumentos de corda como bandolim (vide “A mulher em mim” ou “Antes e depois de você”) e steel guitar.

Houve também resgate do repertório gravado pela dupla Zezé di Camargo e Luciano: “Nasci pra amar você” (Born to give my love to you), versão escrita por Wanessa e por seu pai. Outras músicas inéditas cedidas pelos integrantes do Pato Fu, “Deixa pra lá” e “Fuga” de Patrícia Coelho, Emerson Villani e Jair Oliveira formataram o som da cantora para a criação da sua identidade, seguindo a cartilha para o rápido acesso popular.

Muito comparada Sandy, por ser filha de pai famoso (e também oriundo do gênero sertanejo), alimentou-se uma espécie de rivalidade entre ambas.Wanessa parecia não se importar com a cobrança para caminhar no mesmo trilho que Sandy e já denotava personalidade forte. Frequentava baladas, tinha um conturbado relacionamento com o ator Dado Dollabela, assumiu publicamente não ser mais virgem e as canções de amor, sofridas, no melhor estilo dor-de-cotovelo, pareciam ser, de fato, a trilha sonora da sua vida. Enquanto Sandy preservava sua vida pública, Wanessa sabia fazer notícia. Não é à toa que topou sem pestanejar ser capa da revista  masculina VIP, posando só de lingerie, para a alegria dos marmanjos que logo fizeram dela um símbolo sexual.

Subestimada pela crítica especializada, Wanessa dividiu opiniões sobre a sua habilidade vocal e muito se creditou o sucesso ao fato de ser filha de pai famoso. O público pareceu não se atentar e deu-lhe, em 2001, a estatueta de “Artista Revelação” no Prêmio Multishow, desbancando artistas (coincidentemente, também herdeiros musicais) como Pedro Mariano (que retirou o sobrenome Camargo para não ser confundido por grau de parentesco) e Max de Castro. Para defender a cria das vaias que não lhe foram poupadas na ocasião, Zezé di Camargo disse que sua filha vendia discos e eles não. Verdade: seu disco de estréia ganhou disco de ouro pelas vendas superiores a cem mil cópias.

Se a proposta da Wanessa era fazer música pop, o seu disco cumpriu o seu papel. E não há nada de errado se o produto disponibilizado é puramente comercial, sem o intuito de levantar bandeiras, ideologias, discursos controversos ou que beiram a intelectualidade. Nestes dez anos de carreira,Wanessa fez o que sabe fazer de melhor: entreter. E isso é ação fundamental para quem busca alçar o estrelato e permanecer na roda. E ela até hoje está aí. Com fôlego.

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