Control: o grito de independência de Janet Jackson


“Control” foi um disco emblemático para a carreira de Janet Jackson. Unindo o funk e o R&B da época, Janet, antes sempre à sombra do irmão famoso, Michael Jackson, transformou-se na nova sensação do pop, mostrando ter algo a mais, fazendo Michael ficar ressentido, a ponto dele não querer mais fazer passos de dança na sua frente para que ela não o copiasse, o que seria impossível. Ela tinha a sua frente um verdadeiro artista da música, numa fase em que tudo tudo o que o irmão tocava, virava ouro (vide parcerias com Diana Ross em “Muscles”, com o Paul McCartney em “Say Say Say” ou com o Lionel Ritchie em “We Are The World”). Foi graças a este disco que Janet subiu ao palco do Grammy para cantar o hit “What Have You Done For Me Lately” e recebeu duas indicações nas categorias “Álbum do Ano” e “Produtor do Ano”, onde Jimmy Jam e Terry Lewis levaram para casa o gramofone de ouro, merecidamente.

nossa senhora do comebackAo todo, “Control” vendeu aproximadamente 14 milhões de unidades e aqui no Brasil, a repercussão foi positiva. Além da faixa “Let’s Wait Awhile” ter sido eleita para ingressar na trilha sonora da novela “Brega & Chique Internacional”, exibida pela Rede Globo, ganhou versão em português escrita por Sérgio Sá, tornando-se uma das músicas de trabalho da cantora Patrícia Marx, para o seu segundo disco solo em 1988 intitulada “Pra Quê Se Complicar”.

Reviravolta – O destino parecia incerto para a caçula dos Jackson, em 1985. Com 19 anos, sem atrair grande atenção enquanto atriz de seriados como “Arnold” e “Fame”, bem como dois discos que pouco fizeram diferença artisticamente (o disco homônimo, de 1982 e o “Dreamstreet” de 1984),  Janet estava fadada ao insucesso, por mais esforços que o pai, Joe, fizesse para tornar a família em uma mina de ouro. Enquanto Michael Jackson e seus irmãos embarcavam na turnê “Victory” com o sucesso avassalador do álbum “Thriller”, Janet ficara reclusa, vendo o seu casamento com o cantor James Debarge chegar ao fim, sendo vítima inclusive de violência doméstica do próprio marido (o que ela revelaria posteriormente na faixa “What About” no aclamado “Velvet Rope de 1997”), foi o suficiente para entender que alguma atitude precisava ser tomada.

De nada adiantou permitir que outros tomassem decisões por ela para não entrar em conflito com o pai. A sua insatisfação frente a sua carreira acabou sendo o impulso para desenvolver o conceito em torno do disco “Control”. Pois desta vez as coisas seriam do seu jeito, à sua maneira.

Empoderamento – Janet fora apresentada aos produtores Jimmy Jam e Terry Lewis, por meio do seu novo empresário, John McClain, protegidos do Prince na cena de Minneapolis. Ambos faziam parte de uma banda chamada “The Time”, na qual chegaram a atuar como rivais no filme “Purple Rain”. Foi com eles que Janet fez uma de suas colaborações mais felizes, escrevendo músicas que revelavam o seu desejo em assumir responsabilidades e não se deixar levar por galanteios de rapazes que tem como único intuito exercer sua porção “macho”, para ficar bem entre os amigos. Janet contesta-os, exigindo respeito, por meio de canções como “Nasty”, “What Have You Done For Me Lately” e “The Pleasure Principle”. Nada de abaixar a cabeça e aguentar calada, pois se a relação caiu na rotina por comodismo, quando no começo tudo eram flores, Janet veio cobrar pelo mesmo tratamento.

Pela criação da sua nova identidade, “Control” simboliza o seu renascimento como artista e apontou-lhe uma direção rumo ao sucesso, da qual não mais sairia. Assim como o rei do pop, passou a frequentar assiduamente programas dedicados a vídeo-clipes. Conforme o disco atingia o topo das paradas, mais a gravadora investia em super produções, aliando moda e coreografia (Janet acabou lançando, quase sem querer a Paula Abdul, que popularizou um estilo de dança que unia dança de rua com o balé clássico). O disco, que logo completa 30 anos de lançamento, firmou o seu espaço onde pôde escrever o seu nome na história da música pop nos anos 80. O melhor ainda estava por vir. Janet passaria ao posto de ícone ao conscientizar jovens sobre o poder da educação, fazendo com que muitos voltassem a estudar, graças as mensagens de alerta contra a alienação e a falta de perspectiva no aclamado “Rhythm Nation 1814”, disco que lhe deu uma estrela na calçada da Fama em Hollywood.

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