Compilação de sucessos faz Mariah Carey reavaliar sua obra em #1 to Infinity


Em junho deste ano, a cantora americana Mariah Carey completou 25 anos de carreira, iniciados quando fez o lançamento do seu primeiro álbum solo, no qual pôs quatro singles no topo das paradas: “Vision of Love“, “Love Takes Time“, “Someday” e “I Don’t Wanna Cry“, sendo praticamente uma novata no ramo artístico. Em comemoração às duas décadas e meia de sucesso, Mariah retornou à Sony Music, companhia que pavimentou e construiu sua carreira com o apoio do executivo musical (e ex-marido) Tommy Mottola, reunindo as 18 faixas que a consagraram em uma compilação chamada “#1 To Infinity“.

nossa senhora do comeback

Apesar da falta de novidade em mais uma coletânea de grandes sucessos, Mariah fez questão de, no encarte, contar detalhes e curiosidades sobre essas canções, fechando a audição com a inédita “Infinity“, especialmente para o lançamento. Sobre esta música, depois de acompanhar de perto sua trajetória, recebi a canção com certa frieza. “Infinity” pouco dialoga com o seu passado. Enquanto “Vision Of Love” mostra a artista encantada com a realização do seu sonho, “Infinity” retrata um acerto de contas para o término de uma relação amorosa.

Ao meu ver, Mariah tornou-se uma caricatura de si própria repleta de exageros, onde a sua persona excêntrica fala mais alto do que sua música. Mais preocupada com a sua aparência física em fotos criteriosamente tratadas que não competem com a realidade, enxergo menos arte viva do que a cantora que apenas abria a boca com seu vestido collant preto (como o usado pela atriz e modelo Tatiana Thumbtzen, em 1987, no vídeo “The Way You Make Me Feel” do Michael Jackson)  e nada mais era preciso para impressionar: bastava ouvi-la.

A naturalidade e a segurança vistas em apresentações ao vivo na década de 90 dão saudade. Suas músicas atuais tentam mantê-la na crista da onda, mas soam genéricas, com canções parecidas umas com as outras e até com cantoras do meio pop, sem maior diferencial. As baixas vendas do seu último disco “Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse”,  onde há uma vã tentativa de justificar o rendimento aquém do esperado, motivado pela crise do seu casamento com o Nick Cannon,  dão as cartas para que se compreenda por qual motivo Mariah nivela-se por baixo, uma vez que todos sabem o quanto mais ela pode oferecer.

Espero profundamente que a longevidade de sua carreira se baseie também em bons discos, ao invés de recordes por canções que chegaram em primeiro lugar na Billboard. Se começar pelo fim representa um recomeço, torço para que a Mariah volte ao posto ao qual pertence.

Previous Toda pessoa LGBTQ+ deveria ler isso!
Next Por que menino não pode brincar de boneca?

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *