A pedido do Embaixador, Fernando Perdigão


 

Confesso que quando escolhi A pedido do Embaixador, de Fernando Perdigão, não estava muito animado com ele, mas pensei que pelo menos eu poderia tentar falar alguma coisa sobre questões LGBT, pelo que eu tinha lido na sinopse.

O livro, uma publicação do Grupo Editorial Record, é do gênero “policial” e mostra a investigação do assassinato de Rubens, um cara que sai com meninos e meninas, além de ser sócio em uma agência de turismo LGBT, no Rio de Janeiro. Quem investiga o caso é o detetive Andrade e a policial Lurdes, a pedido de um embaixador (que se diz ser tio do morto).

Estante

O começo já é incrível no quesito humor e ousadia, e acontece dentro de uma boate, na qual Rubens, que ainda encontra-se vivo, vai até um cara que ele já ficou. Ao se aproximar dele, acaba se metendo em uma baita confusão, sendo espancado. Depois disso, já nos deparamos com o crime posto e o Detetive Andrade sendo designado, a pedido do embaixador, pra investigar o assassinato.

Daí por diante, acompanhamos o detetive e a policial em suas idas e vindas em busca de pistas, testemunhas e suspeitos, sempre de uma forma nada tradicional, correta ou ética. Também  investigação não segue o modelo tradicional do gênero policial (por isso o designamos entre aspas, ali em cima), que é a de apresentação de pistas, de reconstituição da cena do crime.

A-pedido-do-embaixador-capaEm A pedido do Embaixador, há muito mais teorias e intimidação de testemunhas, do que de fato uma ação investigativa. Desde o começo o detetive Andrade já institui um linha de raciocínio, da qual ele não se desfaz, apenas vai reacomodando-a de acordo com as situações que vão se mostrando. Tanto que, há a sensação de que o crime é mais solucionado pela apresentação das pessoas e das questões que elas escondem, do que necessariamente de uma perspicácia investigativa.

O comportamento preconceituoso de Andrade, que não é só direcionado aos homossexuais como também aos pobres, os nordestinos e, praticamente, toda e qualquer pessoa existente nesse mundo, poderia causar bastante incômodo, entretanto, isso não ocorre pelo ridículo das teorias e do comportamento do detetive. Suas teorias e seus brados soam como uma coisa quixotesca, fantasiosa e que me parece ter como função o castigat ridendo mores, muito comum por exemplo no teatro vicentino, que buscava conscientizar as pessoas por meio do sentimento de identificação com os tipos mostrados no palco, em geral sempre mal caráteres.

Por fim, o livro de 485 páginas deve ser encarado como uma comédia policial, no qual o foco é muito mais o policial que investiga, do que o caso a ser solucionado. Achei bastante divertido.

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