Debutante: “Voz no Ouvido” consolidou Pedro Mariano no cenário nacional

Debutante: “Voz no Ouvido” consolidou Pedro Mariano no cenário nacional

No ano em que o disco “Voz No Ouvido” completa quinze anos de lançado, sinalizando o seu renascimento para a cena da nova MPB trazida pela geração dos filhos de artistas que despontaram no ano 2000, Pedro Mariano deu ao público um disco com identidade. Depois de um CD de estreia irregular, no qual ele não teve a rédea inteiramente em suas mãos – “Pedro Camargo Mariano” (Sony, 1997) – Pedro, já sem o Camargo (para não ser confundido como filho ou parente de dupla sertaneja), migrou para a gravadora Trama e, em 2000, trouxe para os nossos ouvidos a voz que muitos precisavam ouvir.

nossa senhora do comeback“Voz No Ouvido” saiu, de fato, como o cantor queria: o repertório que mesclava o som que ouvia quando criança e o influenciou, fazendo resgates felizes como “Sorriso Falso” (Lincoln Olivetti/Ronaldo), gravada originalmente em 1977 por Robson Jorge, “Fazendo Música, Jogando Bola” (Baby do Brasil/Pepeu Gomes), funk de 1982 transformado num delicioso pop com novo arranjo de seu pai, Cesar Camargo Mariano e “Preciso Ser Amado”, de Tim Maia (1973), além de “Tem Dó” (Baden Powel /Vinícius de Moraes), “Profissionalismo é isso aí”, de João Bosco e Aldir Blanc, e “Postal”, de Cassiano, essa em formato piano e voz, ao lado de Cesar. Outras faixas como “Livre pra Viver” (Claudio Zoli/ Bernardo Vilhena) e “Tem que ser agora” (Luís Mendes Jr/ Gastão Lamounier) foram colaborações que quebraram o clima nostálgico, dando a Pedro sua assinatura nas interpretações.

Com regravações e inéditas, CD inaugurou nova fase do cantor, destacando sua personalidade. (Foto: Divulgação/Trama)
Com regravações e inéditas, CD inaugurou nova fase do cantor, destacando sua personalidade. (Foto: Divulgação/Trama)

Jair Oliveira – Falar de Pedro Mariano sem citar seu grande colaborador e amigo é impossível. Onipresente nos discos do intérprete, Jair Oliveira assina sozinho canções inéditas como a faixa-título e “Grande Amor”. Já “Só Chamar” – a única do disco em que Mariano aparece como autor – Oliveira divide também com Daniel Carlomagno, outro compositor gravado em CDs posteriores do cantor.

O CD foi responsável por conquistas emblemáticas para a carreira de Pedro Mariano. “Voz no Ouvido” foi lançado em rede nacional em 2000, com espaço no Fantástico (Globo) para o clipe da canção homônima, que teve a participação da atriz Carolina Dieckmann, que à época estava a todo vapor na pele de Camila, em Laços de Família (2000). Também fez ele receber, no programa Raul Gil (Record), o primeiro disco de ouro da Trama, ao vender 100 mil cópias, bem como o fez amealhar a indicação ao Grammy Latino 2001, na categoria Melhor Álbum Pop Contemporâneo, perdendo a estatueta para a cantora Marisa Monte (“Memórias, Crônicas e Declarações de Amor” -2000).

Pedro Mariano integrou, pela primeira (e, até então, única vez), o line-up da Tenda Brasil, na terceira edição do Rock in Rio (2001), em cuja performance da canção “Tem Dó” fez o público cantar em uníssono, emocionando o cantor.

(Foto: Márcio Simch)
(Foto: Márcio Simch)

Por esses e outros motivos, “Voz no Ouvido” caiu facilmente no gosto dos fãs e está bem rotacionado nas FM’s, derivando dois CDs single, o “Voz no Ouvido” e o “Livre pra Viver”, com diferentes versões de cada canção.

O CD “Quinceanero” ainda tem muitos ouvidos a conquistar e merece ser lembrado por quem aprecia um trabalho com frescor e novidade, numa MPB sempre ávida por new faces e sons.

 

(Texto escrito com a colaboração de Paloma Ayres)

 

 

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