Banda “BICHA”, vocalista gay e um show super viado no Rock in Rio!


Em 1985, o show do QUEEN – então com o insubstituível Freddie Mercury ao microfone – foi um dos mais marcantes do primeiro festival Rock In Rio, o que justificou a escolha da banda para o encerramento do primeiro dia da edição 2015, que celebra os 30 anos da marca.

Infelizmente aquela rainha não está mais entre nós, mas nesse 18 de setembro nós coroamos outra.

Adam Lambert é um dos poucos gays assumidos na indústria, o que significa muita coisa. A escolha por não esconder sua sexualidade tem um imenso valor político, porque poderia facilmente ter lhe custado a carreira que tanto ama. É comum vermos divas heterossexuais falando pelos direitos LGBT – e isso é ótimo – mas as pessoas que são LGBT e lidam com o mercado acabam sendo pressionadas, frequentemente, a manter suas sexualidades no armário ou – nos piores casos – a fingir serem heterossexuais. Um artista é, afinal, também um produto a ser vendido, e algumas coisas ainda preocupam os empresários…

Lambert já falou sobre sua homossexualidade e está pronto para ser reconhecido apenas por sua arte e por seu talento. É o que ele mais merece. Entretanto, o fato de que ele é gay sempre será usado como uma forma de marcá-lo, será sempre um diferencial. Isso acontece com todos os LGBT, que acabam tendo suas particularidades abolidas por um rótulo qualquer, passando a fazer parte de um “todo” indefinido.

No palco mundo, com uma coroa de brilhantes e todos holofotes voltados para ele, Adam foi mesmo uma RAINHA. E uma rainha bicha, já que a palavra “queen” é utilizada como xingamento contra gays afeminados também. Ou seja, a banda “BICHA” fez um show super viado, com um fabulosíssimo vocalista gay! UMA FUCKING RAINHA BICHA LACRADORA BEBENDO AS LÁGRIMAS DAS RECALCADAS, já que certamente algum dos garotos que fizeram da vida de Adam um inferno na escola estão agora assistindo ao seu sucesso mundial. Isso é TU-DO!

É maravilhoso que tenhamos divas como Madonna e Lady Gaga lutando pela causa LGBT, e é incrível que um ícone como RuPaul agora goze de tanta aceitação do grande público. Drag Queens viraram mainstream! Mas é completamente FABULOSO que um jovem gay como Adam Lambert suba naquele palco e dê o show que o Brasil assistiu nesse festival, porque isso envia uma mensagem de que “é possível”, de que “está tudo bem” ou “vai melhorar” para cada menininho gay que se esconde em armários – metafóricos ou literais – para fugir dos xingamentos.

Adam Lambert is the Queen
O som do QUEEN é o legado de Freddie Mercury, mas quando Adam solta a voz em seus shows está cantando por Freddie, por Boy George, por George Michael, pelos Pet Shop Boys, por Ricky Martin e até por Cazuza, Ney Matogrosso e Renato Russo. Ele canta por todos os artistas gays, bi, pan, por todas as identidades de gênero, pelos vivos e pelos que já se foram. Por todos os LGBT no palco e na plateia.

A violência nos faz um alvo só, mas o orgulho também. Esse é o valor da REPRESENTATIVIDADE. É isso que significa ver uma rainha coroada reinar durante alguns minutos em cima de um palco. Podem nos bater e xingar, mas como diz o hino, “vamos sobreviver”. A nossa luta é todo dia, mas o sentimento em relação a essa batalha ecoa através de milhares de vozes unidas: WE ARE THE CHAMPIONS.

https://www.youtube.com/watch?v=SMMDYwNCvzI

Aceita, que dói menos. God save the Queen(s).

Previous 24 livros pra dar pinta e tentar entender o "ser LGBT"
Next Imperfeito, Machos Alfa e Diedra Roiz

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *