MANDA NUDES: Sexo, exposição e a modernidade gozada!


“Manda nudes” is the new black. É tema de listinha engraçada, é assunto em portais de notícia e até a inspiração de tumblrs modernosos – e extremamente NSFW! Em tempos de “zapzap”, é uma saudação mais comum do que um “bom dia”. É o objetivo daquele flerte rápido no aplicativo, daquela cutucada no Facebook… É sexo virtual e autopornografia; exibicionismo e erotismo na velocidade de um click!

DandoPintaSloganSim, a vida está corrida. Seguir aquele roteiro básico de conhecer alguém, de repente ficar amigo, perceber que pintou um clima, roubar um beijo no cinema e depois de alguns encontros terminar na cama, está cada vez mais difícil. Agora, é tudo online.

Bem, isso não é necessariamente ruim. Sempre existirão os saudosos para dizer “na minha época”, mas a comunicação e os espaços de circulação estão sempre se modificando e a humanidade está sempre se adaptando. Pensando especificamente no meio gay, o lado bom da coisa é ainda mais pronunciado, já que é preferível ter aplicativos para encontrar parceiros certos do que correr riscos no submundo a que sempre fomos limitados.

O que curte? O que procura? Talvez a melhor resposta seja… Equilíbrio.

A sexualidade pós-moderna terá que equilibrar suas práticas e morais às novas vertentes de relacionamento. Se no século XIX era excitante espiar as canelas de uma mocinha, e no século XX a pornografia vinha em revistas baratas e desenhos obscuros – pelo menos até o boom do cinema pornô – , agora a internet nos dá acesso ao sexo do mundo em segundos. Além disso, a cultura individualista e a viagem egocêntrica que nossos prometidos “15 minutos de fama” estimulam, temos o palco dessa crescente “amadorização” da produção imagética da sexualidade. É excitante olhar para o sexo, mas parece que é ainda mais excitante protagonizá-lo.

É normal ter curiosidade sobre a pessoa desejada, e na esteira de todas essas coisas vem o “manda nudes” como um novo ritual de conversação. É engraçado, é divertido, a pessoa se sente desejada, você sossega a curiosidade… E às vezes, só. Aquele papo legal, recheado de piadas com foto da Gretchen vai dando lugar a um “depois te escrevo, estou dirigindo” ou o clássico “temos que marcar” sem data nenhuma em vista. Tem o “2º tempo”, porque sempre rolam aquelas madrugadas solitárias em que um ou outro lembra de mandar uma mensagem mais safada e acabar ganhando mais nudes, mas para muitos desses “amores de Whatsapp“, a coisa fica nisso.

É uma “masturbação virtual” que imita o sexo casual, em que logo depois do gozo a única vontade é a de ir embora.

Evidentemente que essa não é a história de todo mundo, mas quem não teve um ou outro episódio assim? Não estamos mais e mais acostumados a fazer tudo através da internet, desde partilhar fotos de bebê até parabenizar aniversariantes e combinar coisas importantes de trabalho em grupos de discussão? Não estamos, quase sem perceber, transformando o mundo virtual em nossa First Life?

Se não der para encontrar, é preciso pelo menos buscar algum equilíbrio. Procurar satisfação é sempre válido, e certamente que se pode encontrar vários nichos de preferências e fetiches por aí. Colecionar fotos pode ser divertido, tentar convencer alguém a se despir pode ser excitante, sentir-se desejado é sempre bom e até a exploração de dotes artísticos desconhecidos pode gerar prazer. O que não dá é para abortar relacionamentos só porque uma curiosidade foi satisfeita.

A idealização é parte importante do prazer, e é óbvio que uma pessoa nunca conseguirá atender completamente às nossas fantasias. Entretanto, vale a pena tentar passar da fase do “manda nudes” e investir na “versão 4-D, IMAX interativa”. Ou sei lá, pelo menos, mandar logo a real de cara e assumir a preguiça, avisando que para aquele dia uma boa e velha punheta já vai bastar.

Afinal, se os aplicativos indicam as pessoas mais próximas e as redes sociais mostram quem tem mais amigos e afinidades em comum, além das fotos do nosso almoço e das nossas viagens, a verdade é que o que se esconde em nossas cuecas é o de menos. Estamos expostos. Pelados, pelados, nus com as mãos nos bolsos.

E aí, manda nudes?

Permita-se. Seja livre. Seja fabuloso.

Leia a Dando Pinta toda quarta, aqui em Os Entendidos, e não esqueça de curtir a nossa página.

Previous Amar é crime, de Marcelino Freire
Next "O Racismo Está nos Olhos de Quem Vê"

3 Comments

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *