Submissão, de Michel Houellbecq


Considerado muito próximo dos romances 1984, de Geroge Orwell, e a Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, Submissão é o novo romance de Michel Houellbecq, autor vencedor do Prêmio Goncourt de 2010.

Em Submissão, ao contrário do que temos em geral, nos romances distópico usuais, somos apresentados a um Estado ainda não instaurado e de um futuro muito próximo aos tempos atuais, próximo de mais, poderíamos dizer.

Estante

O ano é 2022 e François, um professor universitário que leva uma vida sem grandes expectativas, que segue pulando, ano após ano, entre relacionamento com alunas, e que ministra todas as aulas, seminários e assistência aos doutorandos nas quartas-feiras. Não se relaciona com os pais e não tem uma vida social. Professor de Literatura, vai inserindo em sua narrativa elementos do autor que pesquisou a vida inteira Huysmans, bem como outros filósofos e escritores. Não se preocupa com nada mais, até que…

As eleições para a presidência da França estão para acontecer e um novo cenário é desenhado, quando a Fraternidade Mulçumana consegue não só passar para o segundo turno, como, com o apoio de partidos de direita, instaurar um governo islâmico, que vai agregando a UE países como Tunísia e Turquia.

Isso tudo vai se mesclando com a vida de François, que após a implementação do governo é aposentado de suas funções na Sorbonne III, que agora é uma universidade ligada ao Islã e recebe incentivos das petromonarquias.

À medida que vai percebendo o ambiente vazio que sua vida vai tornando-se, ainda mais agora que está aposentado, François começa a questionar-se e a olhar a instauração das novas políticas por um viés que não mais o de desconfiança, como algo natural.

É interessante observar que a instauração de um estado novo está muito mais próximo do A Revolução dos Bichos, também de Orwell, e que ao contrário das outras distopias, a personagem não questiona o sistema e tenta libertar-se dele, justamente, creio por essa desilusão com o sistema vigente e com a vida particular que tem levado. A esperança é colocada em algo novo e que parece promissor. Há também um muito de egoísmo e machismo na personagem, que se deixa levar pelo dinheiro das petromonarquias que aplicam muito dinheiro nas novas universidades e na possibilidade dos casamentos, a poligamia. A submissão feminina.

A vida se apresenta mais fácil para a personagem, assim como me pareceu ser em Admirável mundo novo. A toda uma ideia subversiva nesses sistemas, que seduz as pessoas a quererem adotá-lo e é isso que acaba por mover os acontecimentos finais do livro, a submissão.

Para quem gosta de distopias, romances que envolvem política é um prato cheio; fora que há partes bem deliciosas de se ler no que se refere a vida sexual da personagem.

Submissão é uma publicação da Editora Objetiva, pelo selo Alfaguara e tem 253 páginas.

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