Mulheres-maravilha: o feminismo chega à Cultura Pop!


Feminista: Pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos. A definição de dicionário, popularizada na voz de Chimamanda Ngozi Adichie em discurso sampleado por Beyoncé, nunca foi tão relevante para a cultura pop. Seja estrelando sagas distópicas ou fazendo parte de grupos de heróis, brilhando nos palcos ou na política, o papel da mulher em nossa sociedade patriarcal está mudando. Graças à Deusa!

NerdandoEm Dezembro de 1943, a capa da edição nº 07 de Mulher Maravilha trazia a heroína em campanha para a presidência dos EUA, com os dizeres “1000 anos no futuro!”. Foram necessários “apenas” 72 anos para uma mulher anunciar sua candidatura à presidência do país, mas a possível vitória de Hillary Clinton deve inspirar mulheres do mundo todo, como faz Diana – a Mulher Maravilha.

wonder-woman-7Hillary, Beyoncé e a heroína estão no centro do debate sobre o feminismo na política e na cultura pop. A cantora de “Independent Woman” e “Who Run The World (Girls)” foi usada para nomear uma importante parcela das potenciais eleitoras de Hillary, as “single ladies” que dependeriam do Estado. Obviamente que essa ideia só poderia ter partido de um homem conservador, mas o fenômeno interessante foi a tomada do termo “Beyoncé voters” como forma de empoderamento. Não há nada de errado em comparar-se a uma mulher de sucesso, especialmente para declarar apoio às políticas promovidas por outra em destaque, prestes a entrar pro time que inclui a chanceler alemã Angela Merkel, a presidente argentina Cristina Kirchner e é claro, a brasileira Dilma Rousseff. Uma liga de “mulheres maravilha” que jogam o duríssimo jogo político e ainda precisam enfrentar o machismo, já que as críticas a elas – e mesmo a produção midiática sobre seus governos – sempre resvalam em sexismo.

A indústria de quadrinhos insiste em hipersexualizar a mulher, mas a força dos movimentos sociais vem mudando esse quadro. Recentemente, a DC Comics suspendeu uma capa de Batgirl que fazia alusão a abuso sexual. A discussão rendeu, mas a decisão foi a mais acertada para o momento que vivemos e para uma publicação claramente voltada ao público feminino. Roteiristas e desenhistas mulheres aparecem em títulos como Batwoman e Mulher Gato, a nova Power Girl sem decote e, na Marvel, o sucesso da Thor mulher e da nova Miss Marvel – uma muçulmana – mostram o quanto a representatividade está em alta.

Imperatriz FuriosaPor outro lado, no cinema e nos games as coisas andam devagar. Musas como Chun-Li ainda são raridade no mundo virtual, enquanto Lara Croft não sobreviveu aos roteiros precários de suas incursões na telona, apesar do carisma de Angelina Jolie. Sagas como Jogos Vorazes e Divergente mostraram que há público para filmes de ação com heroínas, mas os executivos de Hollywood ainda parecem ter medo de apostar nisso. O caso de Mad Max – Estrada da Fúria é singular, porque ativistas pelos direitos dos homens – SOCORRO – reclamaram da “propaganda feminista” porque a Imperatriz Furiosa de Charlize Theron – que recentemente discutiu a diferença salarial entre homens e mulheres na indústria – tem mais destaque que o mocinho. Por isso, um dos melhores filmes do ano foi porcamente divulgado, e o resultado das bilheterias se deve principalmente ao burburinho causado pelos “protestos”, que acabaram atraindo um público que não pretendia assistir ao filme – como eu, que adorei.

A Disney excluiu a Viúva Negra do merchandising de Os Vingadores – A Era de Ultron, por acreditar que meninos não comprariam algo com uma heroína. Para piorar, teve vingador chamando a moça de “vadia”, e a treta virou piada no Saturday Night Live com um trailer de “chick flick” da personagem de Scarlett Johansson:

A Marvel só se redimiu com o lançamento de A-Force, título que traz um time de Vingadoras totalmente composto por mulheres. Ele é parte da saga Guerras Secretas – o grande evento da editora nesse ano – e deve seguir sendo publicado depois, o que obviamente é ponto para as meninas.

a-force

A DC, em parceria com as fabricantes de brinquedos Mattel e LEGO, repaginou algumas de suas personagens para meninas de 6 a 12 anos, no selo DC Super Hero Girls. Além de um desenho animado, há uma linha de bonecas prevista para o segundo semestre, e outro acerto veio com Supergirl – seriado que acompanhará as aventuras da prima do Superman. As críticas ao trailer da série provocaram o “vazamento” do episódio piloto, que acabou surpreendendo positivamente. Há muita ação e ótimos efeitos especiais, além de uma conversa constante sobre o papel da mulher e de uma super-heroína que se for bem desenvolvida, promete.

Fica impossível não citar Game of Thrones. A obra de George R. R. Martin não chega a ser feminista, mas sempre teve mulheres fortes e em papéis de destaque. Entretanto, a adaptação dos livros para a TV eliminou algumas personagens, diminuiu a força das que restaram e frequentemente exibe – provavelmente para chocar o público – cenas de estupro ou de incitação a ele. Esse foi o destino da sofrida Sansa Stark (Sophie Turner) e causou revolta geral, especialmente depois que os produtores insinuaram que ela escolheu esse caminho. É provável que Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) conquiste o trono à fogo, mas parece que muitas mulheres ainda sofrerão antes que isso aconteça, o que para alguns é motivo para abandonar a série.

A expectativa agora fica para 2016, quando a Mulher Maravilha fará sua estreia nos cinemas em Batman vs Superman – Origem da Justiça. A atriz israelense Gal Gadot foi criticada porque não teria corpo para assumir o papel, mas respondeu da maneira elegante e diplomática que sua personagem pede. O filme solo da heroína está previsto para 2017, e PRECISA ser um sucesso, já que finalmente veremos o ícone – pop e feminista – nas telas. Será difícil defender os papéis femininos nessa indústria se o maior deles fracassar, mas a julgar pelas artes conceituais recentemente divulgadas podemos ficar tranquilos. Será uma MA-RA-VI-LHA!

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