Flores da ruína, Patrick Modiano

Flores da ruína, Patrick Modiano

“Sob a luz do entardecer, tive a sensação de que os anos se confundiam e o tempo se tornava transparente” (p. 42).

Flores da ruína, novo romance de Patrick Modiano no catálogo da Editora Record, novamente aborda um retorno ao passado, de uma Paris de depois da Ocupação. Uma Paris que vai se construindo pelo movimento do flâneur. Da flanêrie não só de quem conta a história, mas da memória deste. Do mesmo jeito que ocorre no romance anterior, o Remissão da pena.

Estante2

Dessa vez, as memórias são invocadas pela lembrança de um duplo suicídio. Este é o objeto catalizador da resolução dos quebra-cabeças que o narrador pretende desvendar e que desaguam na figura de “De Pacheco”, sobre o qual ele passa a escrever.

“Não era levado a escrever por uma vocação nem por uma dor particular [nos diz o narrador], mas simplesmente por um enigma que um homem [De Pacheco] que eu não tinha nenhuma chance de encontrar me apresentava, e por todas aquelas perguntas que jamais teriam resposta” (p. 87).

Respostas há muito perdidas, porque as personagens estão perdidas para ele, não só por conta do tempo decorrido, mas por elas terem sido sempre assim, fantasmáticas, fugidias. Como a mulher do poema “A uma passante”, de Baudelaire. Uma mulher que sendo outra qualquer ninguém, além do poeta, presta atenção e, ao fazê-lo, é marcado por ela.

Flores da ruína segue a mesma linha de edição, letras grandes que tornam a leitura agradável, mas ainda com os mesmo problemas já apontados no romance anterior, no que se refere a revisão. No mais, a mesma impressão com esse romance, a de uma leitura agradável, justamente por prometer coisas que não cumprirá. Um romance que é tão somente, isso é o que ele tem de mais maravilhoso, o encontro furtuito de pessoas e lugares, como a vida.

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