Flossie, a Vênus de quinze anos


Há que se ter um pouco de ingenuidade, mesmo na literatura erótica e/ou pornográfica. É algo que transita maliciosamente e deliciosamente entre o explícito e o sugerido, despertando assim o prazer bem característico nas obras desse tipo.

Flossie, a Vênus das peles, de Swinburne e publicado pela Hedra, é um romance que se encaixa justamente nesse estilo. A narrativa nos é contada por Jack Archer, com algumas pequenas intervenções de Flossie, a linda menina que ele encontra nas “tranquilas ruas do Piccadilly” e com a qual travará certa amizade íntima.

Ao mesmo tempo em que vamos acompanhando a evolução dessa amizade, também vamos conhecendo um pouco da história de Floss (como Flossie é chamada): uma menina de quinze anos, órfã, que estudou em Paris e depois foi viver com a Senhorita Eva Letchford, na Inglaterra.

Os dias vão passando e as horas dos encontros entre Floss e o Capitão Archer vão sendo preenchidos com, apenas, muito sexo oral e masturbação, entremeados com bastante candura e brincadeiras. Há um quê muito infantil, até mesmo por conta da personagem – que mesmo aparentando ser uma mulher madura no comportamento sexual, ainda se traveste de uma menina de quinze anos.

Mas porque o Capitão e sua adorável menina não chegam até os “finalmentes”, você deve estar a se perguntar. Bom, Floss promete a sua amiga Senhorita Letchford que não o faria. Claro que isso poderia ser apenas um jogo erótico a fim de prender o homem pelo desejo (como era comum acreditar), mas para além disso, Floss afirma, desde o início, ser virgem. Contudo, há uma outra possível explicação cultural da Inglaterra, que é o fato de as meninas ficarem legalmente livres para o sexo a partir dos dezesseis anos, por conta do Criminal Law Amendment Act 1885, apenas dois anos antes da publicação do livro. Ou seja, o livro estava dentro dos padrões esperados no que se refere à conduta sexual das meninas (Quem disse que a pornografia não respeita o status quo, hein?!).

Sobre regras morais nas práticas sexuais, embora com umas ideias bem avant-garde, como aulas de sexo oral administradas e acompanhadas pelos professores em encontros de jovens, Floss também é bem conservadora no que se refere ao desejo homossexual. Não que ela condene, por exemplo, o minete (sexo oral) entre mulheres, mas ela acha que isso não é o adequado e que a prática leva as meninas a se distanciarem do que “verdadeiramente importa”, o desejo por meninos. Tudo sempre dito com uma candura e uma presença que nos parece ser encantadora, na boca dessa figura de lolita de quinze anos.

Aliás, sob certos aspectos, Flossie lembra mesmo o romance de Nabokov: a malícia e a inocência da menina, características essas que sempre nos chegam pelo relato de um homem. Interessante, né? O que você me diz disso, Gabriel?

Essa, inclusive, é a tônica não só dos romances eróticos/pornográficos. Mesmo aqueles em que a autora é a mulher (parece que o que temos é um falsete invertido do que o que vemos nas músicas de Chico Buarque, em que Chico assume um eu-feminino, é a mulher assumindo ideologicamente um discurso masculino – machista). Voltando, essa é a tônica dos hentais, os quadrinhos japoneses pornográficos heterossexuais (que eu também gosto bastante de ler).

O que eu gosto nesses quadrinhos? Bom, acho-os fofos pela ingenuidade e repetição do mesmo script, sempre um menino encontra uma garota meio bobinha, acontece alguma coisa em que ele acaba sentindo os peitos dela, que fica excitada. Então ela se joga em cima dele e lhe faz um broche (sexo oral), depois ele pergunta e pode meter, ela diz que sim e rola todo aquele lance dele dizer que ela é uma safada, que é apertada, que ele tem um pau grande e então ele pergunta se pode gozar dentro e ela diz que sim e meio que acaba. Tudo sempre com umas carinhas bem bonitinhas e de um jeito meio infantil. Gosto também pelo fato de que o modo como os meninos são desenhados são mais fofos e “normais” que me quadrinhos japoneses de outros estilos eróticos e pornográficos.

Uma dica pra quem quiser conferir o que eu estou falando são os volumes “Meninas Perfeitas”, de Sorahiko Mizushima publicado pela Astral Comics e “Cosplay Kanojo” de Hiroshi Itaba publicado pelo selo Harem da NewPop.

Previous Bicha profissional
Next AIDS: a doença moral da mídia

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *