Há esperança na representatividade!


Texto escrito por Jean Wyllys.

A Câmara dos Deputados é formada por 513 deputados e deputadas. Destes, apenas um se afirma e se declara homossexual: eu.

O significado de ter um deputado gay na Câmara dos Deputados, para a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, é importantíssimo. Pela primeira vez desde a promulgação da nossa Constituição, em 1988, essa comunidade que é alvo de ofensas constantes e que está acostumada a se ver em papeis subalternos ou em representações humilhantes na mídia e nos meios de comunicação, tem um representante legítimo e orgulhoso da sua sexualidade. Não fui eleito pela comunidade LGBT, mas acredito que a minha eleição – que aconteceu por força dos mistérios – foi um presente para ela: Quando há uma autoridade da República que se afirma gay, lésbica, travesti ou transexual isso modifica a visão de mundo das pessoas em relação à nossa comunidade e serve como um trunfo para essa nova geração de LGBTs, que poderão olhar para o seu futuro e enxergar algo além de insultos e um destino imperfeito na marginalidade.

Toda pessoa deveria ter sua dignidade reconhecida e os direitos humanos deveriam ser de todos e todas, mas o fato é que alguns segmentos da população estão excluídos da comunidade de direitos por preconceito e discriminação. LGBTs são vítimas de violência nas ruas, bullying nas escolas e discriminação no mercado de trabalho por serem quem são. Eu não me sentia representado por quem estava na política institucional e por isso me candidatei ao cargo de deputado federal porque considero muito importante que ocupemos nossos espaços nas casas legislativas do país e nos façamos representar na política, principalmente quando há um avanço do fascismo que tenta nos tornar invisíveis e nos tirar o pouco de direitos e de dignidade que já conquistamos com muita luta e suor.

Fico contente em ver o crescimento no número de candidatos e candidatas LGBT concorrendo nestas eleições (e de simpatizantes que tenham propostas concretas para a cidadania da nossa comunidade). Como já dizia Harvey Milk: para termos mais esperança na política precisamos de mais representatividade nela. Com a proximidade da data em que escolheremos nossos representantes para os próximos quatro anos, precisamos eleger quem nos representa, mas sem deixar de lado uma reflexão crítica na hora do voto. Não basta ser LGBT ou simpatizante, é preciso ter uma proposta clara pela diversidade. E é preciso que este candidat@ esteja ligado a um partido que defenda essa pauta sem restrições. Não estamos lutando por privilégios, como muitos detratores gostam de nos acusar. A nossa luta é por direitos, estima e o respeito que a gente não tem.

Com o crescimento da força política de cristãos fundamentalistas que se coloca claramente contrária à extensão da cidadania, ao reconhecimento da dignidade humana, à valorização social de minorias estigmatizadas, como também, além de LGBTs, a comunidade negra, as mulheres, as comunidades tradicionais de terreiro, adeptos da umbanda, do candomblé, e demais religiões de matriz africana, é mais do fundamental que a gente se faça representado por aquele ou aquela que vai de fato defender os nossos direitos. Precisamos ocupar a política, para que ela não seja mais o espaço para o reacionarismo, elitismo, racismo, homofobia e o falso moralismo. Para que ela não seja o instrumento para eternizar o poder das capitanias hereditárias políticas, nem que sirva à marginalização daqueles e daquelas que historicamente já tem seus direitos negados. Pois, como já dizia Martin Luther King, “o que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.


O deputado Jean Wyllys participará da mesa de abertura da I Semana da Visibilidade LGBT da UERJ, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Acesse os links, confirme sua participação e convide os amigos. É muito importante que a sociedade mantenha esse tema em voga, especialmente no importante momento político que estamos atravessando.

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