Por que Indiana, João?


Por que Indiana, João?, de Danilo Leonardi, já foi resenhado de uma maneira mais abrangente por mim, lá no Folhetim Felino, e  inclusive participei do evento de lançamento na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista em Sampa.

O livro não é um romance gay. A história gira em torno de João e  sua saga contra as práticas de bullying, dentro e fora do colégio. Então, por que estaria eu comentando sobre ele aqui, já que a intenção desta coluna é a de comentar, principal e preferencialmente, livros de temática homoafetiva/homoerótica e eróticos/pornográficos?

A resposta é simples. O livro apresenta um menino, um dos personagens secundários, que sofre bullying apenas por ter “trejeitos” considerados gays, mesmo que ele nem sequer pense sobre o fato de ser ou não – leia o livro pra saber o que ele descobre. Embora o bullying homofóbico não seja o enfoque do enredo, ele se faz presente, junto com a xenofobia e tantas outras fobias, que vão sendo mascaradas e minimizadas pelo corpo docente. Todo esse cenário de injustiça torna fácil sentir empatia pelo que é lido, porque de vários modos nos sentimos contemplados, não só enquanto vítimas, mas também como praticantes de preconceitos.

O livro serve um pouco para ilustrar como o bullying heteronormativo oprime a todos e encontra lugar também nas escolas desde cedo, levando muitos a evadirem as instituições de ensino, no mundo real. No entanto, vale ressaltar que o assédio fica ainda pior quando as vítimas são travestis ou pessoas trans*, que na maioria das vezes acabam sem opções que não a prostituição por não terem sido acolhidos e defendidos nem no ambientes escolar e nem na própria família – onde muitas vezes as agressões se repetem.

Daí, qualquer início ou postura que vá de encontro a discussão do tema é de real importância, pois gera visibilidade não só para as agressões por trás das “brincadeiras”, mas também para preconceitos que alguns imaginam não mais existir, como o racismo. Enfim, nos serve para expor o quão intolerante a nossa sociedade é realmente.

No caso dos LGBTs, esse tipo de abuso era para ser trabalhado pelo projeto Escola Sem Homofobia, inserido dentro do Programa Brasil Sem Homofobia do Governo Federal, onde havia dicas para que professores e outros atuantes na área da educação pudessem problematizar questões sexuais para além do sexo biológico, como a orientação e a identidade de gênero. Enquanto esse projeto não se torna realidade, informações podem ser encontradas em pequenos núcleos, valendo destacar a página Travesti Reflexiva, no Facebook, que também oferece dicas no que se refere à opressão sofrida por travestis e transgêneros em ambiente escolar, dentre outros.

Por fim, pode ser que Por que Indiana, João? não seja um livro de temática LGBT, mas com certeza nos serve como espelho e como meio para encontrarmos maneiras de como agir contra qualquer tipo de discriminação.

Pra quem tiver interesse, no próximo 30 de agosto (2014), às 14h na Estande da Giz Editorial, na Bienal de São Paulo, o autor estará autografando os exemplares do livro.

+ informações:

No site do Governo Federal tem um material sobre o trabalho com Gênero e Diversidade na Escola muito interessante – Gênero e diversidade na escola: formação de professoras/es em gênero, sexualidade, orientação sexual e relações étnico-raciais.

Sobre o tema, ainda tem o livro: Homofobia & Educação – um desafio ao silêncio, organizado por Tatiana Lionço e Debora Diniz.

As Diretrizes para uma Educação Sem Homofobia, da IGLYO.

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