Liberdade. Individualidade. Propriedade!


Na última segunda, dia 14, comemorou-se os 225 anos da Tomada da Bastilha durante a Revolução Francesa. Iniciada a partir da insatisfação popular com a falta de comida e o sistema que governava, a Revolução se mostrou pouquíssimo revolucionária no seu desenrolar, culminando em uma ditadura imperial. Os poderosos continuaram sendo os ricos e influentes, enquanto o povo continuou tentando se fazer ouvir,  sofrendo com a dureza das leis e o custo dos impostos.

Liberdade, Igualdade e Fraternidade ainda representam ideais a serem atingidos pela maioria dos governos. No Brasil, nossa segunda democracia é bastante recente, com quase 30 anos, então não é de espantar que ainda tenhamos muito o que fazer, como cidadãos, para superar aqueles que estão no poder há tempo demais para saber dividi-lo.

Hoje temos a liberdade para participar ativamente ou não dos rumos públicos do nosso país. Mas por que, então, parece haver um consenso na abstenção? Debater pode ser chato, mas faz parte da experiência humana. Sempre fez. Fazemos política a todo instante e a cada conflito. Quando discutimos a relação com pessoas próximas, quando cogitamos pedir um aumento pro chefe ou quando nos indignamos com alguma notícia. Então por que tão poucos escolhem tomar partido das próprias insatisfações? Até onde sei, a satisfação não é permanente na vida de quase ninguém. Se vivemos numa democracia e a maioria do povo não participa ativamente, quem realmente governa?

Há quem defenda que isso acontece por não associarmos nossos interesses aos de outros. Por cultuarmos o indivíduo. Não discordo inteiramente, mas não me leve mal quando digo acreditar que o mundo tem muito a melhorar com a individualidade. Bastaria que os indivíduos se aceitassem mais como são invés de se preocuparem em como deveriam ser! O tipo de individualismo que devemos policiar é aquele que diz: aquilo não é problema meu; ou riqueza pouca, o meu depósito primeiro. E segundo e terceiro.

O fato é que se dar bem ultrapassou o plano da mera sobrevivência. Mas também não vejo problema em querer sempre mais. O problema é: lucrar a custa de quem? É compreensível que donos de empresas corporações, sendo humanos e portanto, ambiciosos, procurem também sempre mais: a propriedade. Seres humanos influenciam a existência um do outro. Somos seres sociais. Dessa forma, o bancário afeta tanto um senador quanto um carvoeiro. Então por que tão poucos lutam para exercer essa influência, especialmente em prol do bem coletivo? Mudar o estado das coisas pode mesmo parecer impossível, mas fazemos a todo instante, ou você nunca superou um obstáculo na vida? Será preciso um mal estar como o dos plebeus franceses para tomarmos consciência de que precisamos mudar?! Para percebermos que se isentar do debate político é entregar direitos e deveres nas mãos de quem tem dinheiro suficiente para se fazer ouvir e ser atendido.

Há algumas semanas, a presidenta Dilma regularizou, por decreto, a participação popular na formulação de políticas públicas, criando a Política Nacional de Participação Social. Medida que em nada diminui o poder do Parlamento, mas que tira o seu monopólio das decisões. Algo que pareceu incomodar vários colunistas. Agora, se as leis são feitas pelo povo e para o povo, porque parece tão problemático levar em consideração o que setores organizados da sociedade tem a dizer? Será falta de argumentos para debate ou será porque defender os interesses do povo na sua frente se torna constrangedor para os eleitos? De fato, deve ficar chato para os parlamentares, votar pelo aumento do próprio salário em presença dos Sem Terras…

Talvez essa iniciativa da presidenta seja um passo grande demais para uma democracia que há pouco deixou de engatinhar, mas não é insensato dizer que trazer o povo de volta à ela seja uma atitude constitucional necessária. Por já haver uma ação de deputados para derrubar o decreto, acho fundamental que, como integrantes do povo, façamos ouvir a nossa opinião

E se aprendemos alguma coisa com a História, é que cabeças poderosas podem rolar quando exigências populares não são atendidas…

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