Hoje Eu Quero Voltar Sozinho: O filme de todos nós!

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho: O filme de todos nós!

Foram quatro anos de espera, mas o Leonardo (Ghilherme Lobo) não está mais sozinho. Além da Giovana (Tess Amorim, ótima) e do Gabriel (Fabio Audi), ele conta com centenas de milhares de fãs que aguardaram ansiosamente por esse momento. Finalmente, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho chega às telonas brasileiras.

As exibições em circuito começam no dia 10 de Abril, mas diversas pré-estreias em cidades selecionadas estão premiando os fãs com o filme tão esperado. Os ingressos esgotados e o buzz nas redes sociais são a prova de que o longa é a cara de sua geração. Também, o que esperar de um filme criado quase por encomenda, para atender ao clamor dos aficionados pelo curta que foi sua semente?

Eu Não Quero Voltar Sozinho foi criado para isso mesmo. A ideia do diretor Daniel Ribeiro era apresentar o argumento básico da história de Léo, o adolescente cego que passa pelas dores e delícias dessa fase tão complicada – inclusive com o nascimento de um primeiro amor – no escuro. Esse é seu primeiro longa, então o curta serviria para mostrar o projeto e possibilitar sua conclusão, mas a resposta do público foi tão grande que concluir o filme se tornou uma missão! Seria simplesmente inaceitável que a história de Léo, Giovana e Gabriel ficasse limitada apenas aos 17 minutos do curta…

https://www.youtube.com/watch?v=1Wav5KjBHbI

Segundo o diretor, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é o filme que ele queria ter visto quando adolescente. Atualmente, é comum que se pense em grandes conquistas na hora de elaborar um projeto, mas esse filme prova que, muitas vezes, a grandeza está na simplicidade. Ao contar uma história universal, sobre o surgimento de um primeiro amor e o impacto disso numa amizade de anos, Daniel Ribeiro acabou fazendo um filme que todos os jovens – gays ou não – desejam (e precisam) ver.

No longa, os personagens que já conhecemos ganham profundidade. Os anseios de liberdade do jovem cego, sufocado pela superproteção da mãe zelosa, são muito mais relevantes para o filme do que a homossexualidade, que se apresenta de forma muito delicada. Um dos temas principais da adolescência, a adequação social, aparece na perseguição sofrida por Léo, na pressão por um primeiro beijo e nos questionamentos sobre quem vai ficar com quem. O papel de Giovana, essa “intrusa” no romance central, é particularmente interessante por ilustrar o sentimento de posse que existe em grandes amizades, a interdependência e o choque quando um elemento novo abala o sistema. A insegurança na hora de se declarar a alguém e o susto com os primeiros desejos sexuais também estão lá, sempre com a delicadeza que fez o sucesso do curta.

A maior conquista do filme, talvez, seja sua recepção. De acordo com o diretor e o elenco, mesmo que seja taxado de “filme gay”, o projeto não sofreu rejeição. Desde o princípio, a receptividade ao curta – já são mais de 3 milhões de visualizações no YouTube – já mostrava que esse filme era especial. Para não dizer que não houve polêmica, o curta foi confundido com o “kit gay” – então em discussão no Congresso – e teve sua exibição proibida em uma escola do Acre, provando que a homofobia ainda está longe de ser derrotada. Mas apesar do episódio, até mesmo nos comentários sobre o vídeo – e, como sabemos, internet é “terra de ninguém” – a proporção entre elogios e ofensas é muito animadora.

Imprenssa

A estreia do longa é muito esperada, e trata-se de uma vitória de todos. De cada jovem gay que lutou às cegas para entender o que era ser diferente da maioria. O Leonardo pode até querer voltar sozinho, mas agora, graças a ele, temos um filme que conta um pouco sobre cada um de nós. Agora, não estamos mais sozinhos.

5Rolos2Confira o trailer de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho e não esqueça de bater ponto nos cinemas, a partir do dia 10!

https://www.youtube.com/watch?v=nLlvQ7sbUTY

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Escrito por:

Fabricio Longo

Ator e cientista social, criador e editor-chefe do site. Apaixonado por antropologia, cinema e Coca-Cola, é a mente problematizadora por trás da coluna Dando Pinta. Morre de orgulho do legado desse espaço, e segue tentando não ser soterrado por uma montanha de bonecas Barbie e quinquilharias da Mulher Maravilha! Perguntas, críticas e cantadas no fabricio@osentendidos.com.br.

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