Um ano Dando Pinta!


Não é fabuloso? Já faz trinta anos que estou dand… Quer dizer, já faz um ano que nasceu a coluna “Dando Pinta”! Uooba! Todos cantando: hoje vai ter uma festa, bolo e guaraná, muito doce pra você-ê… É o aniversário da coluna e resolvi celebrar relembrando alguns dos melhores momentos dessa jornada e falar um pouco sobre os projetos futuros para esse espaço e para o site. Ladies and gentleman, start your engines!

A coluna é muito especial para mim porque é o espaço mais pessoal que tenho n’Os Entendidos. É praticamente impossível ser completamente imparcial quando escrevemos um texto, mas nas postagens regulares há uma preocupação em informar ou estimular o debate de maneira distante. Nas colunas, a gente se permite explorar nossas vivências e assumir uma identidade própria – ao invés da “entidade” que é o site. Como tudo na vida, isso tem lados bons e ruins…

O primeiro post de sucesso foi o “Essa bicha não me representa”, que definiu a questão central desse espaço: a luta contra a homofobia na própria comunidade gay. Desde o início admiti que uso “Dando Pinta” para (re)pensar a minha própria relação com a identidade gay e a minha sexualidade e é por isso que acho tão positivo que os comentários permitam a reflexão sobre o tema. Para alguns, a coluna exalta um comportamento desnecessário e tenta colocar gays num pedestal, como se “bichas escandalosas” fossem especiais. Será?

Esse pensamento é reflexo do machismo, que é tão bem sucedido em nos degradar. É evidente que quem tem “trejeitos” efeminados está mais exposto e justamente por isso está na linha de frente da luta pela diversidade. Nem todo homem homossexual efeminado é ativista, mas tal como qualquer pessoa que bagunce as definições de gênero – travestis, transexuais, crossdressers, etc. – , sua simples existência já é política. Basta sair às ruas ou trocar um gesto de carinho com o ser amado para que o status quo esteja em debate, o que é muito positivo. Além de perigoso.

Caso emblemáticos, como os de Uganda e da Rússia, chamam a atenção para o horror do preconceito ao redor do mundo, mas não precisamos ir longe. Faz poucos dias que um menino de oito anos foi espancado até a morte pelo pai, que não queria “filho viado”. Há apenas duas semanas, um dos maiores jornais do país nos mandou evitar “dar pinta” para diminuir os ataques no centro da nossa maior cidade. É óbvio que estamos numa posição de destaque, o que falta definir é se é como estrelas ou alvos! E já que a dúvida existe, façamos o melhor dela, né?

Nessa coluna, eu já falei da minha infância e de como uma boneca me sorriu em momentos difíceis. De como a gente anda escolhendo muito e confundindo “gosto” com racismo e machismo. De como dar pinta pode trazer alegria e das experiências sexuais que todos deveríamos ter, nem que fosse só uma vez. E ainda listei curiosidades gays e regrinhas de etiqueta que dividiram opiniões. Com a coluna, completei os meus 30 anos e espero dar pinta por uma década ainda, chegando aos 40!

Agora que começo essa segunda fase, espero investir em mais contos como “Só a cabecinha…” e “Orgulho hétero”, já que é divertido criar narrativas. Quero falar mais das minhas experiências também, pois sou rodada já vivi muito e será legal relembrar alguns “causos”. Como disse num post recente, vou começar uma nova faculdade em breve e estou curioso para saber como as novas leituras e vivências vão afetar a coluna. Esse primeiro ano já foi bastante frutífero, então o caminho à frente parece muito promissor.

Esse espaço me trouxe novos amigos e aumentou minha voz. A quantidade de fãs e acessos da página quintuplicou, crescendo diariamente, e poucas coisas são mais compensadoras do que receber um e-mail com elogios ou com alguma pergunta sobre qualquer assunto – já me pediram até aconselhamento amoroso! Esses frutos estão crescendo e é possível que a coluna cresça para outras mídias (livro, filme, série, novela de rádio, graphic novel… Será? Veremos!). Fui convidado a escrever em outros espaços e a participar de debates, e tudo isso me prova que estou no caminho certo. O site está crescendo e novas colunas virão, falando de literatura, da vida no armário, do estigma do HIV, prestando aconselhamento e até da vivência lésbica.

Assim, aos pouquinhos, o projeto de uma rede de pessoas entendidas que leva o debate da sexualidade para um novo patamar vai se realizando. E isso é o mais fabuloso de tudo.

Para encerrar o post, tenho que agradecer a algumas pessoas que contribuíram para esse ano tão pintoso: Leopoldo e Namy, que dividem esse sonho comigo; Ana Bouhid, Felipe Goebel e Rogério Tavares, que vibram por cada uma das minhas vitórias e puxam minha orelha quando escrevo besteiras oportunistas; Raí Brasil, que mesmo antes de me conhecer já tinha entendido que a comparação à Carrie Bradshaw vale mais que tudo; Rodrigo Mendes, que me faz atingir muito mais gente e comigo dominará o mundo; Alisson Prando, que ama tanto a Madonna; e a equipe d’Os Entendidos, que são tipo minhas paquitas faz o site ser mais diverso do que só o que se passa na minha cabeça. Muito obrigado. Agradeço também a todos que acessam a coluna todas as quartas e que curtiram a nossa página, além de sempre comentarem e compartilharem os posts. Sem esse feedback, não daria para continuar. 🙂

Dedico a coluna de hoje – e o agradecimento mais especial – ao André, que lê tudo antes de todo mundo. Um beijo e um peteleco.

E chega, que já está pior que o clipe da Valesca. Semana que vem voltaremos à programação normal, com “Um conto de Carnaval”.

Permita-se. Seja livre. Se jogue (de camisinha) na folia!

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