Homem abjeto


Quando todo mundo já tava mais que indignado ou apenas exaurido do assunto Tubby, veio a Playboy com o “blefe” de que a ideia do app que julgava as mulheres em quesitos (basicamente) sexuais, não passava de uma ação da marca para reivindicar a glória o prestígio que o fato de ser Homem outrora desfrutava gozava.

O universo masculino está em crise. O homem perdeu o protagonismo na sociedade, reclamam inúmeros leitores da publicação que se sentem “sufocados” pelos avanços direitos conquistados pelas mulheres e outras minorias sociais. Sim, isso é sério. Lançaram até uma “Constituição” que diz que “Jamais nos verão numa passeata reivindicando nossos direitos. Com exceção de futebol, não gostamos de muito homem junto.”

É, deve ser difícil não poder mais mexer com qualquer mulher na rua ou no trabalho por medo de ser processado por assédio.  Imperdoável elas não terem se contentado com o direito a voto e terem exigido acesso a postos de trabalho, afinal, tudo era mais simples quando ser homem significava ter que se preocupar apenas com outros homens: de olho na sua mulher, disputando a mesma vaga de emprego etc.

Mas o que é mais bizarro nessa história toda é a atitude de rebater um app que “objetifica” os homens veio de uma revista masculina reconhecida internacionalmente por catalogar espécimes femininos aprazíveis aos olhos para usufruto indiscriminado e com prazo de validade de um mês. Acho lindo o descaramento alheio!

É realmente inacreditável a falta de noção, geral,que as maiorias cismam em nos “brindar”. Será que nenhuma alma viva na editora da revista parou pra questionar o contrassenso de uma proposta dessas? Será que a agência de publicidade era supervisionada pelo Don Drapper ou pelo Bolsonaro? Mas talvez tudo não passe de uma tentativa desesperada de uma publicação, que há anos vê sua tiragem minguar frente a cruel competição com a pornografia online gratuita, de vender um combo de assinatura com a outra revista famosa do grupo Abril.

Agora, o que mais me chamou a atenção nas reclamações masculinas contra o Lulu foi que a maioria dos caras fez questão de citar as hashtags: #TrêsPernas; #NãoFazNemCócegas; ou variantes. Coincidentemente o único atributo objetificador da sexualidade masculina. Então, embora a mulher possa ser julgada e promovida segundo o tamanho do seu quadril, cintura, seios, ou por outros inúmeros critérios físicos, morais e sexuais. Até na própria mídia de massa, o que leva os homens a saírem do trono e reivindicar direitos acaba sendo a publicização de um predicado.

Pobres homens, tão ocupados em objetificar o desejo que nem percebem que a grande fonte produtora de objetificação do corpo masculino são outros homens – os que se sentem atraídos por outros homens – não mais aptos a ver que o machismo nos agride a todos.

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