Vivien Leigh – 100 anos


Atualmente, qualquer artista é chamada de Diva. Pode ser novata, pode ser funkeira, pode não ser responsável pela própria carreira… mas é Diva. Até aí, tudo bem. Toda mulher é uma Diva por si só – ou pelo menos deveria ser, já que não é fácil ser considerada o “sexo frágil”. Além disso, não é demérito ser uma estrela pop ou parte da indústria de consumo. Mas antigamente o termo era utilizado para definir estrelas com um quê de tragédia, em cujas trajetórias o talento e a superação se misturavam. Hoje, 05 de novembro de 2013, é o centenário de uma delas.

A relação entre homens gays e a figura da Diva é antiga. Falarei mais do tema na coluna Dando Pinta do dia 13, mas basta comentar que uma figura feminina forte que supera um mundo de opressão é quase irresistível para rapazes que vivem a mesma situação. Hoje as Divas parecem se concentrar na música pop, mas faz apenas algumas décadas que elas vinham das telas de cinema, com todo o glamour da “Era de Ouro” de Hollywood. Judy Garland, Elizabeth Taylor, Greta Garbo, Bette Davis, Audrey Hepburn e a aniversariante de hoje – e minha preferida – Vivien Leigh.

Nascida em Darjeeling, India, Vivian Mary Hartley cresceu na privilegiada comunidade inglesa de Calcutá. Aos seis anos de idade, a menina foi mandada para um convento na Inglaterra, onde começou sua educação formal. Votada a mais bonita da escola, Vivian teve o privilégio de um gato de estimação por ser a única aluna cujos pais moravam em outro continente. Nos recitais e peças do internato, ela se destacava fazendo os papéis masculinos, e ao ser perguntada o que desejava ser quando crescesse, respondeu simplesmente “uma grande atriz”.

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Aos 18 anos, casou-se com Leigh Holman, um advogado 20 anos mais velho. Com ele teve sua única filha, Suzanne, mas não se sentia preparada para “os deveres do lar”. Utilizando o nome do marido como sobrenome e alterando a grafia de Vivian para Vivien, ela se lançou na carreira artística como modelo, atriz de teatro e de filmes de baixo orçamento. Foi nessa época que conheceu o homem que seria considerado “o ator do século”, Laurence Olivier, que para ela era apenas Larry. Não demorou para que os ídolos em ascensão se tornassem amantes e apesar dos costumes da época, era quase impossível que a opinião pública os condenasse em sua paixão. O fascínio pela dupla era semelhante ao que existe hoje com o casal Brangelina, e logo que seus respectivos divórcios saíram, eles se casaram. Mas isso foi depois da virada na vida de Vivien…

Lady e Sir Olivier, dando um beijinho em Marilyn Monroe!
Lady e Sir Olivier, dando um beijinho em Marilyn Monroe!

Em 1936, um romance sobre uma mimada mocinha sulista que enfrenta os horrores da Guerra de Secessão se tornou mania. O público clamava por uma adaptação para os cinemas e tão logo se iniciou a produção, a busca pela protagonista virou uma espécie de esporte americano. Quem seria a estrela adequada para interpretar Scarlett O’Hara? Para Vivien, uma desconhecida de outro continente, sonhar com esse papel era quase impossível. Porém, tal qual a heroína, ela nunca se deixava vencer. Obstinada, correu atrás de um teste e acabou derrotando as estrelas consagradas da MGM na disputa por aquele que é conhecido como “o maior papel feminino da história do cinema”. A saga de 222 minutos rendeu à Vivien seu primeiro Oscar e é, até hoje, o filme mais visto da história.

Apesar do sucesso estrondoso nas telas, ela preferia o teatro, até por influência de Larry. Por causa disso, estrelou apenas 20 filmes, incluindo o clássico Uma Rua Chamada Pecado, que lhe rendeu seu segundo Oscar. Atormentada pelo Transtorno Bipolar, enfrentou os tratamentos rudimentares da época com a graça que podia, e sem nunca faltar a uma performance ou esquecer do texto em cena. Ela morreu em 07 de julho de 1967, de tuberculose, e no dia seguinte as luzes dos teatros londrinos foram apagadas em sua homenagem.

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Lembrada como a hostess perfeita, Vivien lutou a vida inteira para ter seu talento reconhecido acima de sua beleza. A maravilhosa história de Scarlett é impactante por si, mas é a fantástica interpretação de Vivien Leigh que nos faz lembrar da personagem como uma força dinâmica e viva. É virtualmente impossível imaginar outra pessoa nesse papel, e este é o legado dessa grande artista, que parece ter nascido para tal apresentação.

Vivien é Scarlett. Uma verdadeira diva.

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