O ataque dos clones!


Clones2Lá vão eles, como um par de jarros. As barbas milimetricamente desenhadas para parecerem “por fazer”, o gel sustentando os topetes e as camisetas da mesma marca e modelo, variando apenas nas cores. Será que são daqueles gêmeos que a mãe vestia combinando? Opa, eles se beijaram! Pelo jeito, não é incesto. Será narcisismo?

DandoPintaSloganEssa é outra questão do “mundinho gay”. Em uma cultura alienada pelo consumo – exacerbado na nossa subcultura – é a moda que dita como devemos nos vestir, que música escutar, quais lugares devemos frequentar e ainda como responder a determinados estímulos sociais. Isso padroniza as pessoas e coloca nosso narcisismo em pauta a cada “ficada” na balada. Será que fomos condicionados a procurar apenas por um reflexo nosso?

É natural que as pessoas se agreguem em grupos. Estamos sempre em busca de identificação e consequentemente, aceitação. Então é óbvio que os segmentos se formem de acordo com as afinidades. É muito divertido criar e entender esses códigos em comum, mas quando o hábito se radicaliza temos o lado ruim da coisa, que é o fim da diversidade. O que é a morte, culturalmente falando.

As críticas à chamada “cultura gay” são comuns. Somos considerados vaidosos, fúteis, aficionados por status e divas pop. Isso cria – ou reforça – um estereótipo que muitos rejeitam, justamente por causa daquela pitadinha de machismo que tende a julgar qualquer interesse comumente considerado “efeminado” como indigno para os homens. Mas aí surge o problema, pois a resposta padrão é a fuga do modelo, que polariza as diferenças. Será que se nos permitíssemos um intercâmbio maior entre nossos muitos subgrupos, não abraçaríamos a diversidade e com isso, enriqueceríamos a comunidade como um todo?

Nas rodas de amigos esse comportamento nem é problema, mas em relacionamentos amorosos é sempre mal interpretado, e da pior maneira. Se o casal está “no padrão” – brancos, saradinhos, limpinhos e discretinhos – parecem preconceituosos, elitistas e vazios. Se forem dois gordinhos, não arrumaram coisa melhor e resolveram se consolar. Dois negros, são racistas. Se forem duas pintosas, estão quebrando a louça e por aí vai… Esquecemos que “toda forma de amor vale a pena”. São coisas que se alimentam. Se conceitos, preconceitos e afinidades moldam os grupos, é compreensível que as relações neles – amorosas ou não – se deem entre iguais, da mesma forma que a rejeição dos diferentes diminui a variedade de tipos nos grupos e portanto, as opções.

Quer namorar alguém que tenha tudo a ver com você, inclusive fisicamente? Maravilha, isso é ótimo. Só não dá para fingir que não existe o reforço de um padrão específico socialmente aceito. Como não poderia deixar de ser, é o padrão “macho-branco-sarado-estiloso” que, embora seja também um estereótipo, não é tratado como rótulo indesejável. Por que será, néam?

Continuar a validar normatividade e rechaçar diferenças só dilui nossa força como grupo e nossa herança cultural. Isso só serve aos propósitos higienizadores do conservadorismo e o pior de tudo, acaba com toda a nossa graça! Mesmo aos poucos, é maravilhoso que em determinados lugares a homossexualidade já seja encarada com naturalidade. É um processo em andamento, que tem custado o sangue de muitos e que por isso mesmo deve ser valorizado. Se vamos mostrar nossa cara para o mundo, será com toda a beleza da nossa diversidade, sem barreiras! Assim, poderemos até nos surpreender ao ver que integração não significa homogeneização, e que há possibilidade de sair do nosso “mundinho” sem sacrificar suas características positivas.

O mesmo acontece nas nossas relações interpessoais. Você, que é rato de academia, não vai engordar por ter um amigo ou de repente um namorado urso. Da mesma forma, a associação com um homem efeminado não vai manchar sua masculinidade (ou a imagem social de todos os homossexuais). Provavelmente o que todos ganharão serão novas perspectivas e visões de mundo, o que é lucro. Além do que, atualmente todo mundo é obcecado pela ideia de originalidade e qualquer referência vira plágio, então não há motivo para andarmos feito um exército de bonecos, todos iguais! Abra a cabeça. Experimente. Já leu o lema da coluna? Permita-se, seja livre.

A liberdade é fabulosérrima!

P.S: Por coincidência – juro, a coluna estava pronta desde sábado – a revista Advocate falou do assunto num post recente, publicado na última segunda. O enfoque é nosso estilo de roupa mas o assunto é basicamente o mesmo. Vale dar uma lida (em inglês) : The Gay Clones Everyone Knows.

Leia Dando Pinta todas as quartas, aqui em Os Entendidos, e não esqueça de curtir a nossa página.

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