Não dê pinta de orgulhoso, tenha ORGULHO de “dar pinta”!


É chegada a hora! Nesta sexta, dia 28 de Junho, celebramos os 44 anos do levante de Stonewall e do movimento que ele gerou. É dia do Orgulho Gay e mais do que nunca, temos motivos para lutar! E o mais impressionante é que dessa vez podemos até ser ouvidos… Isso se fizermos a coisa certa!

Historicamente formamos um movimento que é relativamente recente. Em pouco mais de quarenta anos, conquistamos algumas coisas e passamos por muitos dramas. Agora vivemos um período singular, no qual nossa luta se configura como a última grande causa civil a ser conquistada.

Feliciano, a PEC 99/11, “Cura Gay” e até mesmo a Mara Maravilha… Existe tanta coisa na contramão de nossos direitos que a dá até desânimo. Entretanto, no fim, elas só fazem que o grito de Orgulho seja cada vez mais necessário. É um grito de afirmação e luta, que tem nas recentes manifestações da “primavera brasileira” uma chance de fortalecimento. É hora de esquecermos nossas diferenças e celebrarmos nossa diversidade, e mostrarmos ao Brasil que a comunidade gay é forte, presente e assume todas as suas cores.

Como causa, o Orgulho vai muito além do ufanismo individual. Não cabe termos orgulho da nossa cor, religião ou orientação sexual, como se fossem logicamente superiores ou louváveis em relação as demais. O Orgulho de ser gay, negro ou mulher existe justamente por causa da opressão, da discriminação. É como o caro que não vive sem o barato ou a sombra que precisa da luz. São opostos que se complementam.

É um movimento civil, sobretudo de identidade, que jamais pode ser baseado no individualismo. Na busca por sermos aceitos, acabamos nos preocupando apenas “com o nosso”, mas assim é muito fácil! Quando pensamos no comportamento social masculinizado, mais amplamente aceito, em oposição ao efeminado, fica fácil apontar esse “egoísmo”. Mas na necessidade de “pertencer”, isso acaba se transferindo para o imaginário gay também. Pode ser através de um topete bem feito, de um corpinho malhado ou da roupa da moda, tudo serve para nos identificar como “tribo”, como segmento. É assim que se criam os estereótipos em nosso meio: os aceitos (masculinidade, sofisticação, fitness, etc.) e os rejeitados (feminilidade, indiscrição, obesidade, etc.). Por sua vez, eles determinam quais serão as características dignas de orgulho ou desprezo, ao negociarmos nosso lugar dentro do grupo. É ótimo ser acolhido e “encontrar sua tribo”, mas o perigo disso é reproduzir a discriminação dentro da própria comunidade, já que não se pode avançar sem o mínimo de coesão.

Precisamos ter “orgulho de dar pinta”, mas não no sentido de sermos ou não efeminados. Isso é individual, não vem ao caso na discussão sobre o Orgulho. Ter Orgulho, como movimento, é lutar contra o preconceito em todas as frentes, ao exigir seus direitos e cumprir seus deveres de forma coerente, sem crucificar os outros enquanto pede tolerância. É entender que a luta dos ativistas também é sua, mesmo que alguns deles sejam travestis muito afastados da sua realidade, ou que você, por acaso, não seja assumido. Não jogue contra, não reproduza o discurso machista e conservador daqueles que nos oprimem. Faça o seu melhor por esta causa, até porque é uma luta por Direitos Humanos. Honre esses anos, essas quatro décadas de sangue, suor e lágrimas, na esperança de que por nossa causa o futuro seja preenchido de sorrisos.

Nessa semana celebramos nosso Orgulho e graças ao momento político atual, podemos unificar nossos discursos em prol da diversidade. Há quem diga que a Parada Gay perdeu o sentido, que é uma micareta vergonhosa… Pois bem, é a chance de mostrarmos nossa cara num evento pungente. Outros não veem nada de errado numa nota de alegria em meio ao caos, então basta seguir a vocação brasileira, que já transformou as manifestações em algo festivo, para protestar à sua maneira. O importante é que estejamos juntos.

Na última sexta, dia 21, a Praça Roosevelt de São Paulo foi palco de um evento inédito, onde manifestação e debate se fundiram aos protestos e Drag Queens, numa voz unificada e tolerante. No Rio de Janeiro, a agenda começa amanhã e culmina na sexta, com uma passeata promovida pelo Grupo Arco-íris.

Você pode ser qualquer pessoa, o que quiser, se der uma chance para a liberdade. Já se perguntou o que fez hoje para sentir orgulho? Nunca é tarde para tentar…

Leia Dando Pinta todas as quartas, aqui em Os Entendidos e não esqueça de curtir a nossa página.

 

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