Quem tem medo da “Ditadura Gay”?


Eles andam de salto alto e fazem “beijaço” e “saiaço” como atos políticos, brotam no seio da tradicional família brasileira – provavelmente por causa do estímulo lascivo das propagandas da Globo – e já tentaram fazer cartilha para corromper as crianças, além de estar na contramão do cristianismo. “Cuidado com a bicha, que a bicha te pega!”

Será mesmo que os valores da “família”, do machismo e da “moral e dos bons costumes” são os corretos? Por que para serem considerados tão maravilhosos, o mínimo que se espera é que sejam fortes, não é? E se são fortes, como é que um mero cidadão homossexual pode ameaçar tanto para gerar tanta histeria? Afinal, quem tem medo da “Ditadura Gay”?

O que se escuta por aí é: “esse assunto está demais”. Que os gays estariam fazendo um lobby midiático para forçar as pessoas mais do que a simplesmente aceitar, mas a engolir seu estilo “alternativo” de vida. É engraçado e ao mesmo tempo triste ouvir isso, porque instantaneamente se subverte a ordem do oprimido e do opressor. É covarde, porque a imagem criada é a maioria da população sendo oprimida por um grupo pequeno. Um “Davi e Golias” às avessas, onde o povo não percebe quem é o justo e o monstro.

Entrem em qualquer portal de notícias da internet e vejam as manchetes. Tem fofoca, futebol, curiosidades e o resumo das novelas, e uma ou duas matérias de tema gay. Em geral, são notícias sobre as últimas discussões políticas do assunto no Brasil e no mundo ou uma matéria sobre algum indivíduo num caso especial. Como internet é “terra sem lei”, chove preconceitos nos comentários, com várias pessoas reclamando que “toda hora esses gays querem aparecer” ou o célebre: “nada contra, mas se deem ao respeito”. Ué, porque o alarde? Você, cidadão de bem, foi OBRIGADO a clicar na matéria de interesse gay? Não tinha a última do Neymar pra matar seu tempo sem se indignar? Haha! Depois somos nós que temos mania de perseguição! Pior, somos acusados de nos fazer de vítimas, nos escondendo em palavrões como “homofobia”, “machismo” e “heteronormatividade”, às vezes até pelos próprios gays! Uma bizarrice que só comprova o sucesso milenar da doutrinação machista…

“Tô pra vê raça mais desunida que viado”. Chega a ser até poético ver como diversas igrejas se unem contra a “Ditadura Gay”, mesmo que no dia-a-dia se acusem de errar pelos caminhos do Senhor. Com gays isso não acontece, pois grande parte está mais preocupada com o Will.i.am produzindo o novo disco da Britney ou simplesmente em não ser associada com os “vergonhosos estereótipos” que nos ilustram por aí. É algo fácil de entender, porque no fim das contas o que todo mundo quer é ser aceito, ficar em paz, mas infelizmente isso não parece que vai acontecer agora. Política é negociação, é procurar meios-termos. Mas não podemos negociar direitos humanos ou “jogar lenha na fogueira”, por medo de continuar sofrendo bullying.

O que há pra temer na “Ditadura Gay”? Ninguém saiu por aí apedrejando os ônibus ou parou as empresas de telemarketing com uma greve generalizada. Ninguém saiu pelas cidades bolinando os caras pra ver se eles curtiam, forçou as pessoas a tatuar a Lady Gaga na bunda ou tacou fogo em igrejas. Nem uma simples Bíblia foi queimada! Até rimos juntos do que há de ridículo em nossa cultura, ao aplaudir a “bicha má” da novela. Essa ditadura é meio caída mesmo, já que não temos uma “Bancada Gay” no Congresso Nacional para gritar por nossos direitos e principalmente, nossos preconceitos. A maioria fala que a “Ditadura Gay” quer privilégios, que nós queremos colocar uma mordaça na liberdade de expressão e que somos contra a religião. Entretanto, no Congresso, o nosso “exército” é de um homem só, enquanto que nas igrejas nós som… Bem, é melhor deixar quieto!

Medo é uma das coisas mais fortes do mundo. É irracional, capaz de cegar. É por isso que provocá-lo é uma forma tão eficaz de manipulação. Quem fomenta o medo da “Ditadura Gay” pode até ganhar um ou mais votos dos conservadores. De repente, ganha até dízimo. Contudo, a maior vitória está além do arco-íris, pois nosso medo de rejeição é o que nos faz repetir esses discursos. Gritamos tanto por respeito que esquecemos que ele deveria ser universal. Tornamo-nos mais egoístas, advogando pelo lado adversário e nos contentando em sermos apenas “respeitáveis”, quando não há nada de respeitável em julgar os outros para tentar “livrar o seu”. No fim quem tem medo da “Ditadura Gay”, de verdade, somos nós. Esses “ditadores purpurinados” que não gritam, não quebram, não fazem protesto… Nem que esteja em jogo algo muito mais valioso que R$ 0,20.

Vamos aproveitar a onda de protestos e colocar nossa cara nas ruas, mostrando que a luta por igualdade também é urgente. O movimento do Orgulho, que lembramos no próximo dia 28, começou com uma pequena revolta que tomou o mundo e nos deu uma identidade. Agora temos a chance de mostrar que não somos nada a temer, que não precisamos de “cura”. O que é preciso é mostrar que não temos medo.

Permita-se. Seja livre. Seja fabuloso.

Leia Dando Pinta todas as quartas, aqui em Os Entendidos, e não esqueça de curtir a nossa página.

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