E aí, o que procura?


Hoje é dia dos namorados. Somos rebeldes, por isso não comemoramos no dia de São Valentim, porque né, deuzolivre que justo essa celebração caia num dia de carnaval! É o dia de celebrarmos o amor nas filas intermináveis dos restaurantes ou da sessão das 19:00 de “O Grande Gatsby“, além dos motéis triplicarem de preço! Óbvio, também é dia de ficar agarradinho com seu amor, celebrando a relação, para todos aqueles que namoram. É seu caso?

Para os gays, namoro é um assunto complexo. Há quem seja “a favor”, como se isso fosse uma questão a ser julgada, e “contra”, tendo esse tipo de relacionamento como o fim da diversão ou como uma ameaça ao conceito de “ser gay”. E você, o que procura?

Aí está uma pergunta interessante, porque surge com muita frequência quando estamos conhecendo alguém. Nos aplicativos de pegação, no Facebook ou até em um encontro marcado, ela aparece. É uma forma de sondar o outro e nos protegermos, já que ninguém quer investir o coração e de repente o boy estar afim apenas de um corpo nu. Vale a pena fazer essa pergunta. Mas e procurar um namoro? Relacionamentos se desenvolvem com lógica própria, dependendo de diversos fatores. Você pode conhecer “o cara ideal”, com tudo que você procura num homem e estar super afim de namorar, mas simplesmente “não dar liga”, ou pode ter uma transa incrível com alguém insuportável e vice-versa. Descobrir que aquela pegação da balada é melhor como amigo ou ainda que o cara do Grindr seja o amor da sua vida. É algo que não dá para prever e, por isso mesmo, vale tanto quando acontece.

Vamos falar de 3 tipos básicos de relacionamento, muito comuns na nossa comunidade:

  • Monogamia – É a “jóia da coroa”, né? Desde pequenos somos doutrinados a esperar pelo amor que dure toda vida, fazendo-nos ter olhos apenas para uma pessoa. É um tipo de relacionamento perfeitamente possível, mas nada fácil. Precisamos nos comprometer de verdade com a ideia, mais até do que com a pessoa que inspirou tal compromisso, para fazê-la funcionar. É difícil, pois a monogamia não parece ser algo natural para nós. É trabalhoso, o que pode dar um sabor especial à recompensa. O que não dá, logicamente, é pra tirar onda com seu amiguinho mais liberal porque só a sua relação monogâmica é digna e qualquer coisa fora disso é piranhagem. Respeite suas escolhas sem desrespeitar a alheia.
  • Relacionamento aberto – É bem frequente no mundo gay. Uma forma de gozar das vantagens de uma relação íntima, com aquela pessoa que espreme suas espinhas durante o banho, sem o trabalho que dá fingir que mais ninguém no mundo é interessante. É fácil chamar de putaria, já que parece um modo de ter “o melhor de dois mundos”. Entretanto é uma escolha também e devemos respeitá-la. Faz quem quer e, ao contrário do que parece, não é só “oba-oba”: há regras, como em todo relacionamento, explícitas ou não.
    As relações mais comuns se baseiam na premissa “tenho meu namorado e podemos fazer sexo sem envolvimento por aí”, mas algumas variantes até abraçam outras formas de relacionamento. Tudo depende da negociação.
    A diferença em relação aquele pai de família que mantém uma amante é que conversar com seu parceiro antes fica mais sincero e bonito.
  • Amizade colorida – É parecido com o relacionamento aberto, com outro tipo de envolvimento. Podemos ter uma ótima relação com alguém, bater altos papos, partilhar várias coisas e até termos química para uma transa gostosa, mas não rolar aquele “click” pra virar namoro, seja aberto ou não.

Há quem diga que homossexuais são sempre mais promíscuos ou que é incoerente tentar achar alguém “pra namoro” num site de pegação. Ora, quando é pra acontecer, acontece, não importa o lugar. Você pode estar aberto para uma relação e ela simplesmente não pintar, ou pode estar numa fase “curtindo a vida” e se deparar com sua alma gêmea. A homossexualidade tende a nos fazer pensar mais sobre a sexualidade em si, o que nos ajuda a lidar mais facilmente com possibilidades “alternativas” de relacionamento. Ao mesmo tempo, tentamos negociar com o que é socialmente aceito e esperado de qualquer pessoa, enquanto buscamos satisfazer nossos próprios desejos. No fim das contas, o que vale é a música do Lulu Santos: Consideramos justa toda forma de amor. Ou pelo menos deveríamos, né?

Permita-se. Seja livre. Seja fabuloso.

Leia Dando Pinta todas as quartas, aqui em Os Entendidos, e não esqueça de curtir a nossa página.

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