10 conselhos para dar (mais) pinta e ser feliz!


Nhái, bunitass! Volta e meia os papos aqui na Dando Pinta são muito mais babadeiros que a coluna mesmo. É tanto disse-me-disse sobre como os gays devem se comportar ou não e o que pode ser considerado vulgar ou santo, que eu oscilo entre a raiva desesperançada e as lágrimas de tanto rir! Será que se nos levarmos um pouquiiiinho menos a sério as nossas vidas não ficariam mais toleráveis? Just saying…

Na semana passada eu falei da Gang das Bonecas, e o tom principal dos comentários oscilou entre “Essa bicha não me representa” e “Desculpa, mas não curto”. Acho agridoce poder (ou ter que) referenciar a coluna em si, já que é legal termos nossa própria linguagem. Fechar ciclos de discussão ou agrupar temas é muito prático, mas cansa ter que ficar repetindo infinitas variações de “oi gay, não menospreze seu amiguinho”.

Por essas e outras, resolvi mudar de estratégia nessa semana e propor uma celebração do dar pinta mesmo. Não, eu não estou dizendo que vocês serão mais felizes se pintarem as unhas com esmalte da Barbie, descolorirem a franja antes de fazer sua chapinha ou conquistarem o quadradinho de 16 (de 8 já está muito last season). O que estou dizendo é que uma das coisas mais divertidas de ser gay é poder brincar com regras bobas e aproveitar a dor e a delícia de ser quem você quiser! Então aqui vão 10 conselhos básicos para você dar pinta, no melhor sentido da palavra. Lembrando que você não precisa fazer todos, mas que pelo menos uns dois já te deixarão menos careta…

10 – Colocar algum brilho, cor ou citação pop na sua roupa;

Gato, nem só de camisa pólo ou Hering básica viverá o homem, né? Não precisa se fantasiar de Mulher Maravilha ou cobrir a bunda de purpurina feito a Globeleza, mas um tiquinho de personalidade não mata ninguém. Até a célebre gola V já dá um tchan na mesmice, então chega dessa bobagem de achar que a masculinidade se perde ao menor deslize. Não é como se o pinto diminuísse porque alguém acusou sua camisa salmão de ser cor de rosa, sabe?

9 – Ler ORGULHO E PRECONCEITO;

Mr. Darcy

Bom, já começa pelo título, né? Para esse quesito valeria qualquer romance escrito por mocinhas, mas um que ensina o que há de bom e ruim no orgulho ou no preconceito já é o cúmulo do direcionamento de marketing. Se joga, bee! Du-vi-do que a senhora não vai sonhar dia e noite com o Mr. Darcy.

Fica a dica que tem a versão (assumidamente) gay do livro também, Pride/Prejudice.

8 – Ter sua princesa Disney preferida;

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As princesas estão para as gay como os times de futebol para os héteros. Tá, não é bem assim, a gente reserva o fanatismo só para as divas pop mesmo… Mas sua princesa preferida pode revelar muito da sua personalidade. Então, seja você uma tarada por anões, uma camponesa com Síndrome de Estocolmo (e zoófila) ou uma oriental com distúrbios de gênero, alimente essa garotinha romântica que vive em cada um de nós! Se você for uma pessoa muito segura de si, leve para o trabalho um caderninho da sua princesa. Se for mais tímido, vale só dublar as músicas no Youtube.

7 – Coma doces bonitos;

Pode ser Delicado (piada pronta) ou Jujuba para as vintage, ou macarons e cupcakes pras metidas a Blair Waldorf fina. O importante é aplicar o mesmo conceito que você (diz que) usa na balada: comida tem que ser BONITA! Ou você acha mesmo que aquela turnê da Katy Perry parecia o desenho da Moranguinho com LSD porque o objetivo era agradar os mano?

6 – Assista um programa gay, assumido ou não;

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Vale Maria do Bairro e A usurpadora, mas nada supera programas assumidos como Queer as Folk, Glee e RuPaul’s Drag Race. De todos, acho que o Ru ainda é o mais importante, porque ensina que só com coragem, originalidade, carisma e talento podemos chegar ao topo!

5 – Estude o seu perfume e escolha o certo;

Não tem essa de tomar banho, passar o desodorante e ganhar o mundo, tá? Não precisa ficar obcecado se as notas amadeiradas evolam da sua pele conforme o dia se finda, ou se os sensuais tons florais evocam uma aura de mistério ao luar, mas não adianta nada cuidar da sua roupa ou do seu cabelo e não se preocupar com seu cheiro.

4 – Malhe a bundinha, néam?

Tá bom, tá bom. Nós acreditamos que você é só ativo, mesmo quando aquele bofe que é a cara do Thor saca uma neca de 22 cm… Maaaaaaaass, não é porque você não usa que não precisa malhar a bunda. Se você perde horas de academia tentando fazer seus bíceps ficarem maiores que a sua cabeça, o mínimo que a gente espera é que a bundinha e as perninhas fiquem proporcionais. Então desce, desce glamurosa, que é a última chamada pro verão!

3 – Chorar cantando a trilha do Moulin Rouge;

satine

Sim, serve qualquer musical e fazer as coreografias sempre dá pontos extras, mas nada é mais maravilhosamente gay do que a saga da Satine. Como não se identificar com a cortesã que só queria ser atriz, torcer por seu príncipe bem-dotado ou ficar com água na boca por aquele absinto que te faz ver a Kylie Minogue cantando a música da Noviça Rebelde? É muita bichice para duas horas de filme!

green kylie 2 – Aprender a coreografia de I’m a Slave 4U.

Não, você não precisa dar essa pinta toda na boate. Mas sério, faça em casa, na frente do espelho, escondido dos seus pais. Nas primeiras duas ou três vezes você vai se sentir ridículo, mas depois de meia dúzia de gemidos, não tem como você não se sentir a mais gostosa da night. Aliás, é um ótimo esquenta. Vira sua garrafa de vodka, ensaia a coreografia e sai assim, se sentindo a Britney selvagem. Não tem chance de você voltar pra casa no zero a zero.

slave

1 – Saiba que você é fabuloso!

O lema da coluna é “seja fabuloso” e toda semana eu compartilho esse mantra com vocês. Só que muito mais importante do que o esforço para vir a ser fabuloso é reconhecer o quanto você já é. Isso não tem nada a ver com dar pinta ou não, ou com as brincadeiras e/ou coisas sérias que discutimos aqui. Gente torcendo o nariz pro que quer que seja vai ter sempre, não está na programação humana ser indulgente com o diferente. Mas quando somos únicos e especiais, ganhamos a vantagem de um outro ponto de vista, e é aí que as coisas ganham uma nova cor. É quando podemos sorrir e enfrentar o que antes era intolerável. A coluna de hoje surgiu porque ainda vejo muitos gays apontando os defeitos dos outros, negando o que os aterroriza em si mesmos. Isso é lamentável, porque no fim das contas vale o que nosso amigo RuPaul vive dizendo:

Se você não consegue amar você mesmo, como é que vai amar outra pessoa?

Permita-se. Seja livre. Seja fabuloso.

Leia Dando Pinta todas as quartas, aqui em Os Entendidos, e não esqueça de curtir a nossa página.

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