Dando pinta no funk!


Esse sim é o show das poderosas! Com o quadradão andando, o Bonde das Bonecas arrasou no último programa Esquenta, da Rede Globo, e como sempre, foi babado! Tirando os célebres comentários do tipo “essa emissora quer corromper nossos filhos”, a apresentação levantou questões, e na comunidade gay tivemos o já conhecido discurso de “olha aí essas bichas afetadas na TV, como se todos os homossexuais fossem assim”. Expulsa as invejosas, meuamô!

Recentemente, vi um comentário no Facebook criticando o programa da Regina Casé. O argumento era de que ao glamourizar a pobreza, ele contribui para que os mais humildes se conformem com sua posição, sem pensar em sequer arriscar a subida dos difíceis degraus da escadaria social. É até algo a considerar, especialmente porque a religião faz exatamente isso com aquele papo de “aos pobres o reino dos céus”, nessa vibe “fica aí no seu lugar que a recompensa está vindo”. Acontece que demonizar o programa seria roubá-lo do significado que ele tem justamente para esse público, que finalmente se vê representado de alguma forma na tela da televisão que leva anos para pagar, além de parecer mimimi de playboy com medo do levante na senzala.

Daí, no último domingo, tivemos um pouquinho mais de purpurina nesse samba todo. Por um lado, o deboche típico do brasileiro está presente. O grupo Devassa, o Bonde das GV e o Bonde das Bonecas foram parar naquele palco porque as pessoas acham engraçado ver esses meninos dando pinta e dançando desse jeito. A apresentadora, os convidados e até a diva Luane não deixaram de brincar com o jeitinho mole de falar que é um estereótipo dos gays, na corda bamba entre um humor camarada e uma reprovação velada. Mas isso é natural, faz parte do processo de abertura que a nossa sociedade vem atravessando e que tantos temem de maneira tão covarde. De um lado, temos conservadores que consideram esse pequeno espaço algum tipo de “propaganda filosófica da Ditadura Gay”. Por outro, temos os próprios gays de direito, cultos, viajados, articulados, roupinha da moda, gel no cabelo e lugar garantido no curso de decoração na sociedade, com medo de serem associados a esse horror! É como se uma “caixa de pandora” da nossa comunidade estivesse sendo escancarada!

Amigassss… vocês já pararam para pensar no que há de positivo nisso tudo? Já se perguntaram como deve ser se assumir gay numa comunidade menos favorecida, onde o verniz de tolerância só existe quando essa posição feminina é bem demarcada, e a figura do viado ainda é equivalente à da puta? Não se deram conta da validação que esse tipo de atenção pode representar para essas pessoas? Ou será mesmo que o funk só serve para nos divertir em inserções nas baladas moderninhas mas ainda é uma vergonha quando atrela sua “cultura” à nossa? Será que acham mesmo que a luta por igualdade não pode abraçar quem é negro, pintosa ou pobre? Fala sério!

É muito fácil achar tudo isso uma vergonha, lendo esse post via tablet no conforto de Ipanema ou Higienópolis. Quero ver vocês fazerem carão com o pé no queixo, ainda mais na TV, suas recalcadas!

Permita-se. Seja livre. Seja fabuloso.

Leia Dando Pinta todas as quartas, aqui em Os Entendidos, e não esqueça de curtir a nossa página.

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