Um viva aos Héteros-passivos!


Sem dúvida, a maior recompensa que essa coluna tem me trazido é o feedback das pessoas. Seja nos comentários aqui, no Facebook ou por e-mail, cada mensagem é um estímulo, uma nova coisa a ser pensada. Ainda estou esperando cantadas e convites para ser acompanhante no exterior, mas se tem algo que realmente curto são as sugestões de pauta, já que nem sempre as ideias fluem tão fácil. Então, por favor, mandem suas sugestões para fab@osentendidos.com, que elas são de grande ajuda. Foi o caso da coluna de hoje.

Na semana retrasada, um post do iBahia fez bastante sucesso. Não demorou para que algumas pessoas me enviassem o link, com o delicioso assunto dos “Héteros-passivos”, e as opiniões mais diversas. Uns acharam tudo simplesmente ridículo, alguns acharam excitante, outros falaram em negação… e alguns só pediram minha opinião.

Isso é possível? Um cara ser “hétero” e ter tesão em dar? Ou será que a homossexualidade e a cultura gay estão tão atreladas que um simples ato sexual define o todo? Lembro-me que nos anos 90, quando entrei na internet, um mundo novo se abriu para mim. Conhecer pessoas, trocar ideias, ler comentários e sites… tudo isso foi me mostrando que o que eu pensava sobre certas questões era ainda muito fechado, quase simplório. Li uma vez sobre o caso de uma mulher trans que, tendo nascido com um corpo masculino, trocou de sexo para ser uma mulher lésbica. Foi só uma notinha, mas abriu totalmente a minha mente! Eu nunca tinha pensado profundamente sobre essa questão, mas me parecia lógico que se o objetivo de alguém era se relacionar com mulheres, não existiria conflito algum em possuir um pênis. E então, ao ler sobre essa pessoa, percebi que a identidade é uma coisa muito mais complexa, muito mais rica, do que “quem mete e quem leva“. Essa pessoa não era um homem heterossexual, mas sim uma mulher lésbica, a quem um pênis só servia para causar confusões de gênero. E olha que, hoje em dia, esse caso me parece até banal… Sexualidade e identidade são coisas distintas. A gente até tem uma “cultura hétero” e uma “cultura gay”, mas sua identificação com um ou outro desses pólos não quer dizer nada sobre a orientação do seu desejo e da sua afetividade, e essa visão polarizada está longe de cobrir toda a gama de experiências da vida humana. O tal texto fala de homens que se identificam como heterossexuais, tanto em termos de identidade cultural quanto em orientação afetiva, mas que praticam o sexo anal exclusivamente como passivos com outros homens. Um primeiro julgamento dirá que eles são homossexuais enrustidos, com problemas de aceitação, que estão tentando se enganar… e certamente há casos assim nesse grupo. Mas qual é o problema em aceitar que algo assim possa existir e ser genuíno? Nossas cabeças estão tão fechadas nos conceitos que nos passaram? Temos a sigla HSH para designar “Homens que fazem sexo com homens”, mas que não se identificam como gays. É uma questão espinhosa no nosso país machista, porque embora a prática de atos homossexuais aconteça, há uma separação firme entre quem é viado e quem não é. Quando eu digo que assumo minha identidade gay, não é só por fazer sexo com homens. Há o lado afetivo também e, principalmente, o cultural, que me faz abraçar essa identidade. É a bandeira do arco-íris, um código de comunicação e até a Madonna. Mas se temos gays e homossexuais que não se identificam plenamente com essas coisas, como podemos esperar que alguém que, sentindo desejo e afeto pelo sexo oposto mas gostando de dar a bunda, diga que é isso ou aquilo?!

Vamos pensar fora da caixinha! Edy, neca, xana… todo mundo tem! E se eles servem para dar prazer para um, podemos dizer que pelo menos poderiam dar prazer para todos. As infinitas variáveis de uso nós nunca saberemos, simplesmente porque cada pessoa tem as suas taras, manias e desejos. Tem hétero-passivo, hétero que gosta de andar de calcinha, ser comido pela esposa ou podólatra que tem tara em pé de homem. E vejam, estou falando APENAS dos homens, por causa do texto. Juntando as mulheres, temos o mundo todo de possibilidades… Então, minha gente, nada melhor do que citar uma grande pensadora da atualidade:

Vamos gozar gostoso de amor e alegria, que Deus disse “FAÇA POR ONDE”, então bora fazendo!

Permita-se. Seja livre. Seja fabuloso.

Leia Dando Pinta todas as quartas, aqui em Os Entendidos, e não esqueça de curtir a nossa página.

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