Entre estereótipos, propaganda e o sexo… a identidade!


Paizão adota novinho, teen procura maduro, Ursão quer chaser e Barbies will be Barbies. Entre subgrupos, divisões e estímulos visuais, nosso sexo e nossa identidade vai se moldando como os atos de uma peça. São as nossas preferências que ditam o roteiro ou somos vítimas de uma “propaganda do que é ser gay”?

Deixa eu fazer a Simone de Beauvoir e mandar um “você não nasce gay, torna-se gay”. E não, não estou desconstruindo o Born This Way da Gaga. O fato é que o ser humano é um produto do meio, e tudo que nos influencia vira parte determinante da nossa identidade. Os conceitos de gênero são construídos assim, mediante repressão e estímulo, estipulando qual comportamento é desejável ou não em meninos e meninas. Mas aí temos os homossexuais para bagunçar tudo, e longe de mim dizer que isso é negativo ou que você, querida leitora, não é um menino só por ser gay (ou uma menina só por ser lésbica).

O interessante é que essas construções são frágeis, baseadas em informações praticamente risíveis como “rosa é de menina e azul é de menino”, e por isso mesmo que tão facilmente escorregamos nelas. Pior, é por isso que esses códigos são tão fáceis de utilizar na hora de construirmos nossas “armaduras sociais” e, consequentemente, cairmos vítimas deles. Nós interpretamos códigos o tempo todo. Basta uma olhada no boy e você já tenta sacar, pela roupa, pelo cabelo e pelo modo de andar, se ele é ativo ou passivo ou se curte as mesmas bandas que você. Então, quando digo que homossexuais vieram dar uma bagunçada nas coisas eu realmente não quero dizer que a gente não pertença aos nossos gêneros, mas sim que o comportamento desviante cria uma nova identidade, que se junta à primeira. Por isso que temos “meninos gays” e “meninas gays”. E na “dança do acasalamento”, que é a paquera ou a procura da sua “tribo”, nós tratamos nossas identidades como produtos à venda mesmo, dispondo ícones de comportamento e visual que fazem a nossa “propaganda”, ao mesmo tempo em que definem estereótipos e (pré?)conceitos. O modo de andar, falar, vestir… até nossos fetiches, caminham por essa dor e por essa delícia de significar tudo. Quando um paizão ativo, por exemplo, “caça” um teen passivo, ele dialoga com uma fantasia construída séculos atrás. Bears e Barbies, quando se definem assim, assumem uma sub-identidade que só apareceu depois da nebulosa definição do que é ser gay.

Ser gay é muito mais do que ser homossexual. Talvez a gente nasça gay mesmo, no que diz respeito ao sexo ou à afetividade. Mas o que se entende por “identidade gay” é um produto adquirido e replicado. Um conjunto de ideias e símbolos, dos quais podemos dispor na busca por aceitação, amor, posição profissional ou prazer. Como eu disse semana passada, não tem nada a ver julgar a complexidade das pessoas como se fossemos só uma listinha de características, mas como seres humanos somos um grande display de informações, boas e ruins. Nos cabe reconhecer nossos conceitos então, e decidir, conscientemente, qual identidade assumir. E onde entra o papo de não segregar? Ora, ter orgulho da sua identidade não significa julgar que ela é melhor do que as outras e nem, muito menos, menosprezar o diferente!

Eu, além de homossexual e homoafetivo, sou gay, um tantinho nerd, um mínimo hipster, super preguiçoso e é claro: fabuloso!

Permita-se. Seja livre. Seja fabuloso.

Leia Dando Pinta todas as quartas, aqui em Os Entendidos, e não esqueçam de curtir a nossa página.

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