Entre o FABULOSO e o DESentendido!


Polêmica! Mamilos! Babado! Na última semana, a coluna Dando Pinta bombou. Com muita gente compartilhando, naturalmente, recebemos comentários de todos os tipos. Isso é muito bom para o debate, que é exatamente o objetivo da coisa, mas uma questão pertinente, que fala da própria razão de ser da coluna, foi a celebração do dar pinta e do que é fabuloso, CONTRA o comportamento masculino. Então deixa o tio desenhar pra vocês… *

* Imagens meramente ilustrativas, que não significam que eu quero vocês dando tanta pinta quanto o Zac Efron (quem conseguiria?) ou muito menos tentando ser tão fabulosos como a Lady Gaga (quem conseguiria? ²). Não sejam tão chatos, levando tudo a ferro e fogo!

Como explicado na primeira coluna (que é mesmo uma grande introdução), o objetivo aqui não é falar apenas de  dar pinta, mas também do papel do masculino na atualidade. Eu disse, e repito, que quem é pintosa se posiciona politicamente também, querendo ou não, simplesmente por diferir da norma e, com isso, colocá-la em questão. Outro ponto importante é que considerar a feminilidade, tanto em homens quanto em mulheres, como demérito, é simplesmente machismo. Mas e aí? Isso significa ter alguma coisa contra o comportamento masculino? Significa que ser pintosa é melhor do ser hominho? Não, néam?! Eu adoro homens, seja no espelho ou na roda de amigos, em cima ou embaixo de mim. O que me irrita, e muito, é o preconceito, venha de heterossexuais ou não. E a grande questão do FABULOSO, como filosofia, é justamente essa.

Ser fabuloso não significa, necessariamente, dar pinta. Fabuloso é ter orgulho do que você é, entendendo que se alguém te discrimina, seja pelo que for, não é erro seu e você continua fabuloso. Não precisa se maquiar, falar fino ou rebolar. Mas, se por acaso ou escolha, você é assim, isso é fabuloso! Um homem pode ser hétero e  fabuloso, ou não dar pinta nenhuma, caso seja gay. Se você é uma pessoa pra cima, consciente do seu papel, que não discrimina as outras por suas diferenças, você é fabuloso! Nós somos seres sociais e temos falhas, então é natural que a gente carregue ideais e conceitos (como o machismo) que vieram do meio. Na minha vida cotidiana, eu me confronto o tempo todo com sentimentos e opiniões dos quais, filosoficamente, discordo. É humano. O que eu tento fazer, então, é parar para analisar, usando de senso crítico para reeducar a minha cabeça mesmo, já que ninguém é perfeito ou 100% coerente. No fim das contas, quando o assunto é discriminação, cabe um bom e velho “não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você”. Admito que ainda parece surreal desejar que uma comunidade tão plural quanto a nossa, que divide como traço comum apenas a orientação sexual, seja totalmente inclusiva e sem preconceitos. É muita gente para pouca fabulosidade… Mas, com um mínimo de boa vontade, acho que podemos entender que o diferente não representa, necessariamente, uma ameaça. Isso pode parecer muito óbvio quando falamos em “opositores clássicos”, como líderes religiosos e políticos de direita, mas fica mais nebuloso quando falamos de nós mesmos e dos muitos segmentos da nossa comunidade.

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Segmentar, nem que seja para tentar entender, também é uma característica humana. De certa forma, é o que tento fazer aqui, ao lançar um olhar sobre um grupo específico, um comentário x ou um fenômeno cultural. Mas rótulos só são divertidos quando usados para rir, com nossos amigos, sem menosprezar ninguém. Então, se você é marombado, pão com ovo, mauricinho ou urso, lembre-se que só teremos uma voz forte quando pararmos de usar esses rótulos para nos segregar, e nos unirmos numa atitude respeitosa, afirmativa e, portanto, FA-BU-LO-SA!

Permita-se. Seja livre. Seja fabuloso.

Leia Dando Pinta todas as quartas, aqui em Os Entendidos, e não esqueçam de curtir a nossa página.

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