Ah lelek, lek, lek,lek…


E aí, brow? Tudo blz, lek? Firmeza! Manja aê essas paradas de dar a bunda? Então, é nóis, formou?

Sério gente, nessa minha ambição (só ambição mesmo, ainda estou longe de sê-lo) de “cientista social” eu faço de um tudo para entender a todos, e aceitar que as coisas que me incomodam o fazem apenas pelos meus próprios referenciais, dos quais não tenho culpa… assim como quem me irrita não é culpado pelos deles. Mas tirar onda de hominho não dá, né?!

Quando fazemos parte de um grupo, é natural que aos poucos a gente vá assumindo algumas particularidades dele. O modo de falar (ou escrever) é talvez a principal delas. Dessa forma, um jovem gay lançar um Nhaí, bunitamn de vez em quando, ou um grupo de surfistas da zona sul carioca carregar no merrrmão não tem nada de estranho. Só que, como toda a forma de comunicação, essas gírias trazem valores agregados, e quando um é visto como masculino e outro como feminino, a coisa começa a ficar mais interessante.

Vamos imaginar a cena? Está lá você, amiga gay, fazendo sua pegação no Grindr, no Manhunt ou até no chat do Uol, e o cara começa a falar contigo como se fosse o Evandro Mesquita: Tudo blz, brother? Tá de bob? Já é! E lá vai você, toda animada, crente que vai pegar AQUELE bofão ativo do Arpoador, e dá de cara com aquela sua colega de balada emo, toda trabalhada no topete descolorido e na calça Restart. Bem feito!

Se já é ridículo considerar a masculinidade como mérito por si só, o que dizer então de um estereótipo dela? Há anos que a cultura gay está em espiral, buscando sempre esse ideal masculino, numa representação cada vez mais grotesca do macho-forte-bigodudo-ativo-que-fala-grosso. Isso é reproduzir o preconceito do qual somos vítimas o tempo todo, nos fechando para a possibilidade de conhecer pessoas maravilhosas em nossa comunidade, seja para amizade, relacionamento ou só sexo mesmo. De um lado, precisamos parar de descartar as pessoas por algo tão bobo como um “desmunhecar”. Do outro, temos que parar de tentar imitar “o homem”, como se tivessemos mesmo perdido nossa masculinidade só por sermos gays. É muito cruel esse “novo armário”, onde cada movimento e cada inflexão da voz é vigiado, porque um deslize nos torna indesejáveis.

Então bonita, desce do palco, néam? Se você tiver que dar pinta, não será nem o vocabulário inteiro dos Racionais MC’s que vai servir para segurar homem, e se o cara estiver atraído por esse tipo de imagem construída… alô, alô, que babaca, vamos mandando passear!

Permita-se. Seja livre. Seja fabuloso!

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