Dando Pinta (Fabulosamente)!


My name is Carrie Bradshaw and I can’t help but wonder… Digo, meu nome é Fabricio Longo, mas já que é pra começar uma coluna eu só consigo pensar na Carrie mesmo (olha a pinta aê); e para citar um outro seriado, do qual voltarei a falar depois, “hoje em dia é preciso ter muita coragem pra ser uma rainha num mundo de plebeus”.

DandoPintaSloganO projeto de Os Entendidos nasceu na minha casa, já faz alguns anos, de uma conversa entre amigos. Quando nasceu, o nome era “Dando Pinta”, mas trocamos porque no fim das contas os assuntos tratados aqui são mais plurais do que exclusivamente gays.

Pareceu mais apropriado brincar com o termo entendido, e o fato de significar quem é gay e também alguém que entende das coisas, mas agora tivemos uma reformulação do site e com ela teremos colunas pessoais aqui. Achei legal fazer esse resgate. O que não significa que só falarei de dar pinta nesse espaço. Sempre brinquei que EU nunca estive num lugar onde não tivesse pelo menos UM gay (Dãah!), e questionava o peso atribuído à sexualidade, que transforma a identidade homossexual em rótulo para a vida. Dessa forma, numa coluna, acho que nem tenho como fugir.  Posso falar de cerveja e futebol (aham, Cláudia) e será sob um ponto de vista gay!

Mas e aí, dar pinta é motivo de orgulho? Eu até acho que sim, ou que deveria ser, mas as implicações sociológicas disso são mais sérias do que o pretendido para este espaço, pelo menos agora. Nesse canto pessoal, estou enaltecendo o “dar pinta” simplesmente porque uma atitude afirmativa não faz mal a ninguém.

Ser gay é muito mais do que ser homossexual. O Ministério da Saúde tem até um sigla, HSH, para designar “homem que faz sexo com homem” (esses que não podem doar sangue, sabe?), o que diz muito da forma como encaramos essa cultura e de como a masculinidade é uma construção falha. Aliás, “Dando Pinta” falará muito do que é ser homem também… mas se tem uma coisa que me faz ter orgulho de ser GAY (ao invés de simplesmente HSH), é o meu amor desmedido pela cultura pop, e já que comecei aludindo a um seriado, então vou encerrar falando de outro.

Aceitar-se é um processo, e foi numa sexta-feira, em 2001, que um programa de TV me ajudou a dar mais um passo nesse sentido. Foi naquele ano que eu me assumi para os meus amigos, o que foi a minha grande saída do armário, apesar de já ter falado disso com minha mãe alguns anos antes. E uma das coisas lindas daquela época, além do Cartoon Network exibindo Sailor Moon à meia-noite, foi a estréia de Queer as Folk aqui no Brasil, com o título lindsay de “Os Assumidos”.

Para um jovem gay hoje em dia, com sites como este, séries na net e personagens e tramas gays relevantes no mainstream, fica difícil imaginar que fosse algo tão maravilhoso ter um seriado gay passando na TV… Mas era.

Claro que hoje ainda queremos muita coisa, mas para mim era algo realmente revolucionário, e chega a ser triste rever a série hoje em dia e perceber que muitas questões ainda são tão pertinentes, como a luta por direitos civis e o combate à homofobia. Mas enfim, o propósito disso tudo é dizer que não, eu não sou Carrie Bradshaw e sim Emmett Honeycutt.

Logo no início da série, ele tem uma fala ótima, super apropriada. Leve e divertida, mas cheia de significados e significâncias. Assim de cabeça, era mais ou menos como:

“Eu poderia me passar por hétero. Deixar minha voz mais grave, parar de falar com as mãos e conversar sobre ‘pegar as gatas’… nunca, jamais, usar palavras como FABULOSO ou DIVINO! Mas prefiro deixar a minha chama brilhar forte, ao invés de ser uma lanterninha boba.”

E é isso. Eu podia até ter colocado a cena aqui, mas acho melhor tentar lembrar mesmo, já que é o que ficou.

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Depois disso eu vivi muitas coisas que me ajudaram a ter mais orgulho de mim e da minha vida – e sim, outras tantas que não merecem nota – mas essa lição ficou. E agora, todas as quartas, eu vou partilhar desse meu mundo fabuloso com vocês…

Sim, o meu apelido – Fabu – nasceu desse momento da série.

Não esqueçam também de acessar as outras colunas da página, já que temos moda, opinião, música e de vez em quando até um pouquinho de sacanagem.

Permita-se. Seja livre. Seja fabuloso!

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